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Empresas do varejo e setor farmacêutico superam expectativas

Mercado Livre, C&A, Magazine Luiza, grupo SBF e Smart Fit foram os destaques positivos dos balanços das empresas de varejo e medicamentos

Varejo

No setor de vestuário, apesar do cenário desafiador, todas as empresas continuaram a apresentar um aumento no volume de vendas | Foto: Getty Images

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2024 do setor de varejo e farmacêutico terminou esta semana com metade das empresas cobertas pelo banco Safra superando as estimativas (5% acima), apesar de não ter sido um trimestre inspirador em geral, na avaliação do banco.

Os principais destaques positivos do trimestre foram Mercado Livre, C&A, Magazine Luiza, grupo SBF e Smart Fit, que registraram resultados melhores do que o esperado, bem como uma sólida lucratividade e geração de fluxo de caixa.

Por outro lado, os destaques negativos foram as empresas de luxo acessível SOMA e Arezzo, que registraram uma desaceleração no crescimento total devido a uma base de comparação difícil e a um foco maior na lucratividade.

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Embora a Vivara ainda tenha apresentado um crescimento sólido, o aumento das vendas e do imposto de renda afetou os resultados, levando a uma queda do lucro líquido em relação ao ano anterior. O Safra acredita que as empresas que foram os destaques positivos nesta temporada devem continuar a apresentar resultados sólidos, mas também ressalta que as empresas farmacêuticas e de varejo de alimentos devem ser beneficiadas pelo ajuste de preços da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e pela aceleração da inflação de alimentos, respectivamente, o que deve impulsionar os resultados das empresas na próxima temporada de resultados.

Safra de balanços: destaques do varejo e medicamentos

Farmacêutico (varejo e indústria): Os varejistas do setor farmacêutico apresentaram resultados positivos no trimestre, com uma aceleração no crescimento das vendas em mesmas lojas após um 4T23 difícil, o que levou a ganhos na margem EBITDA. Do lado da indústria, a Hypera Pharma teve um trimestre melhor do que o esperado, apesar da difícil base de comparação, o que indica que a empresa provavelmente alcançará seu guidance, enquanto a Blau Farmacêutica registrou outro trimestre fraco devido à margem bruta menor do que a esperada (redução de preços associada a um mix de vendas mais fraco).

Em termos de perspectivas, o Safra continua a esperar um crescimento saudável para o setor, com a melhoria da produtividade das lojas, juntamente com a expansão da área de atuação e novos produtos, no caso da Hypera.

A exceção deve continuar sendo a Blau, pois ainda não está claro para os analistas do Safra quando as condições do mercado melhorarão, permitindo assim a expansão da receita e da margem.

Comércio eletrônico: No comércio eletrônico, as vendas do varejo físico e e-commerce próprio (1P) continuaram a ser impactadas negativamente pelo difícil cenário macroeconômico, enquanto o GMV (volume bruto de mercadoria) de marketplace (3P) continuou a crescer.

A Mercado Livre foi o destaque positivo do 1T24, com crescimento da receita, ganho de margem EBIT e forte dinâmica de fluxo de caixa, impulsionada pela expansão do comércio eletrônico em todas as regiões (exceto na Argentina) e um sólido desempenho de seu segmento de fintech.

A Magalu entregou resultados trimestrais melhores do que o esperado, principalmente no EBITDA e na linha de fundo, mas o destaque foi a redução da dívida líquida de R$ 260 milhões no LTM contra o aumento da dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no 4T23, o que indica um ponto de inflexão nos lucros, com melhor lucratividade e melhor dinâmica de fluxo de caixa.

Em relação às Casas Bahia, o Safra vê o processo de turnaround dando frutos, com a empresa recuperando seu nível histórico de margem bruta, além de registrar uma importante melhora no caixa das operações em função da menor necessidade de capital de giro.

Em termos de perspectivas, o Mercado Livre deve continuar a se beneficiar do crescimento em suas plataformas de comércio eletrônico e fintech, enquanto acreditamos que 2024 deve ser melhor para a Magalu e as Casas Bahia, já que a queda na taxa de juros deve apoiar o crescimento das vendas (mais renda disponível para pessoas físicas) e reduzir sua carga sobre as despesas financeiras.

Varejo de alimentos: O trimestre foi marcado por uma inflação de alimentos mais alta, o que levou a um desempenho positivo das vendas em mesmas lojas.

Além disso, a expansão da área de atuação (novas lojas e/ou conversões de lojas) continuou a sustentar um forte crescimento da receita da Grupo Mateus e da rede assaí.

As margens da rede Carrefour, especificamente, continuaram a sofrer o impacto negativo da integração do Grupo BIG. Em termos de perspectiva, não esperamos grandes mudanças no cenário. No entanto, o Safra deve monitorar:

  • (i) a agenda de desalavancagem da ASAI (que deve ser ainda mais acelerada pela tendência de queda nas taxas de juros);
  • (ii) a rapidez com que a margem da rede Carrefour melhora devido às sinergias da integração do BIG; e
  • (iii) a evolução do turnaround da ede Pão de Açúcar.

O Safra também espera que o início de 2024 seja positivo em termos de crescimento das vendas em mesmas lojas, devido ao aumento da inflação dos alimentos e, consequentemente, dos preços.

Vestuário, Calçados e Bijuterias (Mainstream): As vendas de vestuário no 1T24 foram positivamente impactadas por uma tendência de consumo semelhante à observada no 4T23, com estoques mais ajustados.

No setor de vestuário, apesar de um cenário macroeconômico ainda desafiador, todas as empresas continuaram a apresentar um aumento no volume de vendas.

A C&A foi o destaque positivo. Em termos de margens, os maiores volumes de vendas levaram a menores remarcações, o que impactou positivamente o trimestre, mas os impostos mais altos sobre as vendas afetaram os resultados, levando a uma margem bruta quase estável para as Lojas Renner e a Gurarapes, com a C&A apresentando um desempenho superior (+100bps em relação ao ano anterior).

No setor de serviços financeiros, a C&A Pay teve um desempenho superior ao de seus pares, com um sólido crescimento anual da carteira e menores provisões à medida que os créditos vencem.

A política mais rígida de concessão de crédito continuou a dar frutos para a Realize e a Midway, com a Guararapes apresentando resultados melhores do que o esperado.

Para as Lojas Renner, o Safra observa tendências semelhantes, com o EBITDA de serviços financeiros superando as estimativas – um bom sinal que não era visto nos últimos trimestres.

Quanto à Alpargatas, o 1T24 apresentou uma tendência diferente da que vimos nos trimestres anteriores, com crescimento de volume no Brasil e geração de caixa melhor do que a esperada. Apesar das melhores tendências de suas operações domésticas, as operações internacionais continuaram a afetar os resultados.

Em relação ao grupo SBF, a empresa reportou um trimestre sólido, com expansão da margem EBITDA e números acima dos nossos , uma vez que a rentabilidade continua a compensar e a geração de fluxo de caixa acima do esperado levou a uma dívida líquida/EBITDA sólida de 1,3x, próxima ao nível visto no 4T23, apesar da fraca sazonalidade do primeiro trimestre.

O Safra espera que o 2T24 apresente um ambiente mais desafiador para as Lojas Renner, Guararapes e C&A, uma vez que as temperaturas mais altas em abril e no início de maio impactaram a coleção de inverno e a recente situação no estado do Rio Grande do Sul levou ao fechamento de lojas.

Para a Alpargatas, o Safra acredita que os custos mais baixos de suas principais matérias-primas continuarão a fluir para os resultados, levando a uma maior expansão de margem no 2T24.

O Grupo SBF deve continuar a apresentar crescimento do EBITDA no 2T24, à medida que a lucratividade aumenta, e esperamos melhores tendências de lucro líquido, uma vez que uma menor alavancagem pesa menos sobre os resultados financeiros.

Vestuário, calçados e joias (luxo acessível): O crescimento das vendas de vestuário de luxo acessível desacelerou no trimestre, o que, na opinião do Safra, resultou de uma combinação de uma base de comparação difícil dos trimestres anteriores e de um cenário em que a lucratividade foi o principal foco da Arezzo e da Soma, em vez de puro crescimento.

A Vivara foi o destaque negativo do trimestre. Apesar do sólido crescimento das vendas brutas, os impostos sobre vendas acima do esperado levaram a margens brutas e EBITDA fracas, com contração do lucro líquido em relação ao ano anterior.

Quanto ao Grupo Soma e à Arezzo, os resultados foram neutros, com ambas as empresas apresentando um crescimento suave das vendas (excluindo a Hering, que teve um desempenho negativo em relação ao ano anterior), mas a margem EBITDA aumentou em relação ao ano anterior, devido a menores despesas gerais, administrativas e com vendas e uma contribuição positiva do mix do canal de vendas direto ao consumidor.

O Safra continua a acreditar que os resultados de ambas compartilharão o palco com a fusão, o que o banco considera positivo para a entidade combinada.

Em termos de perspectiva, o Safra agora vê esse subsegmento com tendências de crescimento semelhantes às dos principais players, à medida que o crescimento se afasta para abrir mais espaço para a lucratividade e, como esperado, para as Lojas Renner, Guararapes e C&A.

Um inverno mais quente e os impactos das fortes chuvas no Rio Grande do Sul devem pesar sobre os resultados da Arezzo e da Soma no 2T24.

O Safra continua continua cauteloso com a Vivara, uma vez que impostos mais altos devem pressionar os resultados ao longo do ano.

Varejo geral: A Smart Fit registrou resultados sólidos e consistentes. O destaque no 1T24 foi a expansão da margem das academias da safra de 2022, com a margem bruta atingindo 53% no trimestre.

Esse indicador traz mais confiança na expansão da margem da empresa nos próximos trimestres, já que as academias mais novas têm números operacionais melhores do que as mais antigas.

O Safra continua a ter uma perspectiva positiva para 2024 com base nas aberturas de academias, na maturação e no aumento de novos membros e do ticket médio.

No 2T24, a SMFT deve apresentar margens próximas às observadas no 1T24, devido ao seu negócio de base de serviços, com crescimento da receita em relação ao trimestre anterior como resultado de:

  • (i) maturação de novas academias;
  • (ii) abertura de academias em novas localidades no último trimestre.

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