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Bolsa dobra valor em quatro anos e chega a 4 milhões de investidores

Desde sua criação, a B3 viu seu valor de mercado ir a R$ 100 bilhões e um boom de investidores atraídos pelo juro real baixo

Interior da B3, bolsa de valores brasileira, que teve boom de clientes nos últimos 4 anos

Desde o início de 2020, mais de 60 empresas já fizeram ofertas iniciais de ações na B3 | Foto: Divulgação/B3

Desde que surgiu há quatro anos, a B3 (B3SA3), bolsa de valores brasileira, viu seu valor de mercado mais que dobrar – de R$ 40 bilhões a R$ 100 bilhões -, e o número de clientes chegar próximo de 4 milhões.

Com o juro real (que desconta a inflação) próximo de zero, investir em ações virou papo de mesa de bar – movimento que é bem recente. Soma-se à queda dos juros o movimento de fusão das antigas BM&F Bovespa e Cetip, que gerou a B3.

O impulso para a alta do número de investidores foi conjuntural, já que as aplicações de renda fixa ficaram menos atrativas com a queda dos juros.

Estrutura de crescimento de clientes na Bolsa

Com a queda dos juros, vieram as plataformas de investimento em Bolsa.

De repente, o cliente se viu bombardeado de todos os lados: bancos, casas de análises e corretoras.

“O que fez diferença foi o crescimento de plataformas e do mercado de assessores, que levam conhecimento às pessoas físicas”, afirma o sócio da Eleven Financial, Raphael Figueiredo.

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O aumento do total de empresas listadas também serviu para tornar a Bolsa brasileira mais atrativa aos clientes.

Desde o início de 2020, mais de 60 empresas já fizeram ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), número que ainda vai subir até o fim do ano.

Apesar do crescimento acelerado, a B3, que já esteve na quinta posição entre as Bolsas de Valores do mundo, viu sua posição cair por conta do real enfraquecido, já que esse ranking é feito em dólar.

O ranking é liderado pelas americanas NYSE e Nasdaq, gigantes com US$ 20 trilhões em capitalização das empresas listadas. Na B3, esse valor é de cerca de US$ 1 trilhão.

Concorrência

Apesar da expansão recente, a B3 ainda navega sozinha no mercado acionário local. A eventual chegada de uma concorrente para a Bolsa brasileira é um assunto recorrente.

Nos últimos meses, com rumores de uma nova movimentação para criar uma rival, a B3 perdeu cerca de 28% em valor de mercado.

Nesse sentido, o assunto retornou após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocar o tema em audiência pública, encerrada há poucos meses. Porém, os resultados dessa consulta ainda estão sendo analisados.

Especialistas acreditam que essa competição virá, mas não na forma de uma Bolsa tradicional como a B3, mas na forma de fintechs que vão focar em serviços específicos de negócio.

Nesse ínterim, há o caso da Mark2Market, focada em registro de Certificados de Recebíveis do Agronegócios (CRAs).

Por outro lado, há uma longa lista de potenciais rivais para a B3 que não prosperam. A ATS Brasil chegou a fazer um pedido para a abertura de uma Bolsa à CVM, em 2013, mas a ideia acabou não avançando.

Mesmo destino teve o projeto da gestora Claritas, em parceria com a Bats Global Markets, operadora global do setor. (AE)

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