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Bolsa está perto de superar perdas da pandemia

Aos 115 mil pontos, o Ibovespa voltou ao nível de fevereiro. Mas enfrenta a questão fiscal e incertezas sobre a vacina contra a covid-19

Energia

Ações da Eletrobras foram o destaque da Bolsa diante da expectativa de avanço na privatização / Foto: Getty Images

A bolsa de valores brasileira terminou a segunda semana de dezembro com ganho acumulado de 5,7% e na marca de 115 mil pontos – mesmo nível de fevereiro deste ano, antes da pandemia de covid-19.

O dólar se valorizou 0,14%, fechando a sexta-feira a R$ 5,04. Já o euro encerrou em leve queda de 0,01%, cotado a R$ 6,11.

No acumulado de 2020, o Ibovespa está negativo em apenas 0,45%. Apesar do bom desempenho da semana, as preocupações em torno da agenda fiscal ganharam força nos últimos dias.

O pregão encerrou a sexta-feira, 11 de dezembro, apontando estabilidade, em um movimento que os operadores do mercado chamam de realização de lucro em uma alta.

O Ibovespa caiu pela manhã e foi se recuperando ao longo do dia. Quase no fim da tarde, a melhora do humor do mercado em Nova York  (o índice S&P 500 recuou 0,13%, para 3.663 pontos) impulsionou a recuperação e o índice aqui fechou no positivo.

Também contribuiu para os negócios o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, na audiência na Comissão Mista do Congresso Nacional.

O ministro pediu aprovação de reformas e voltou a repetir que tudo que será feito vai respeitar o teto de gastos. Paulo Guedes disse ser possível reduzir o déficit público em 2021 para 2% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Logo após a fala do ministro, o discurso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez os investidores ficassem mais apreensivos.

Rodrigo Maia afirmou que a reforma tributária está pronta, tem voto, mas não vai ser votada por causa de briga política. Ele criticou o adiamento da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial.

O presidente da Câmara afirmou que o governo “quer beneficiar acionista” incluindo na venda da Eletrobras uma usina cuja concessão está para vencer. E Maia concluiu que o modelo de privatização da estatal do setor elétrico “está sob suspeição, por isso, não anda”.

Destaque para a Eletrobras

Na soma de notícias positivas e disputas políticas, o Ibovespa encerrou o dia estável aos 115,1 mil pontos, com giro financeiro de R$ 30,7 bilhões.

Um pouco antes, as ações do setor financeiro ajudaram a sustentar a alta, mesmo que tímida. BB ON andou 1,74% enquanto as units do Santander ganharam 1,16%.

Ao longo do dia, o destaque foi para as ações da Eletrobras após o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO) defender que a desestatização da companhia será um dos temas prioritários do Congresso em 2021. Ele disse que há perspectivas concretas de votação. Assim, Elet ON brilhou no ranking das maiores altas do pregão, com 5,65%.

No exterior, o dia foi negativo pelas indefinições quanto ao pacote de estímulos nos Estados Unidos e também quanto ao acordo comercial entre Reino Unido e União Europeia, fatores que pesaram também na bolsa brasileira. No fim do dia, o índice Dow Jones virou para o positivo e influenciou uma melhora do humor na B3.

Internamente, o fator de destaque foi a notícia de que o relatório da PEC emergencial vai ficar para 2021, sendo que havia expectativas de que esse texto fosse apresentado hoje.

O medo da segunda onda de covid-19

 O noticiário envolvendo a vacina continua com o poder de ditar o tom dos mercados. Enquanto os números de novos casos de covid-19 seguem avançando, especialmente no hemisfério norte, onde são registrados recordes de casos, a proximidade das vacinas oferece um alento.

O destaque ficou para o Reino Unido, que começou a vacinar a população na terça-feira, por meio de doses do imunizante da americana Pfizer criado em parceria com a alemã BioNTech.

E ainda os laboratórios publicaram no principal jornal científico britânico, o New England Journal of Medicine, os resultados preliminares da fase 3 que confirmam a eficácia de 95% da vacina.

O Reino Unido esteve também em destaque durante a semana por causa do Brexit. Na quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou que há uma forte possibilidade de não ocorrer acordo no processo de saída do país da União Europeia.

As últimas semanas têm sido de fortes negociações, uma vez que o Reino Unido deixa de seguir as regras comerciais do bloco, com ou sem acordo, em 31 de dezembro.

Nos Estados Unidos, o destaque ficou para o painel de especialistas da FDA, a agência reguladora de medicamentos do país. O painel recomendou, na noite de quinta-feira, a aprovação para o uso emergencial da vacina da Pfizer.

A imprensa americana espera que a FDA autorize o uso da vacina em breve, podendo ocorrer nas próximas horas. O Canadá anunciou nesta semana a autorização para o uso emergencial da vacina.

Vacinas no Brasil

Por aqui, o tema igualmente segue gerando repercussões. Durante a semana, o governo de São Paulo anunciou que irá começar a vacinar a população em 25 de janeiro, com as doses da Coronavac, vacina produzida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Foi anunciado, também, que o Instituto Butantan já iniciou a produção, que deve chegar a um milhão de doses por dia.

A semana foi de expectativas também quanto a um plano nacional de imunização, o que não foi anunciado até o momento. Durante a semana, a Anvisa aprovou uma resolução que abre a possibilidade de os laboratórios solicitarem a autorização para uso emergencial.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou na sexta-feira que a autorização emergencial será solicitada à Anvisa, mas afirmou que não considera esta a solução ideal, uma vez que esse tipo de autorização permite aplicar a vacina somente em grupos restritos, como idosos e profissionais da saúde.

Pacote de estímulos nos Estados Unidos

Os Estados Unidos voltam mais uma vez ao radar dos investidores com relação ao pacote de estímulos, que está em um impasse há meses entre republicanos e democratas. As discussões estão em torno de um pacote próximo a US$ 1 trilhão.

A semana deu indícios de que as negociações avançariam, com o líder republicano no Senado, Mitch McConnel, anunciando que buscaria concessões para chegar a um terreno comum com os democratas. Os dois lados, no entanto, criticaram as propostas que foram colocadas à mesa, e o cenário permanece de impasse.

O Congresso, por sua vez, aprovou um projeto orçamentário que impede a paralisação das atividades do governo federal, que começaria neste sábado, 12 de dezembro. O texto tem validade de uma semana, oferecendo mais tempo para que democratas e republicanos avancem nas negociações, uma vez que o objetivo é incluir o pacote de estímulos no projeto orçamentário definitivo do próximo ano.

Na Europa, o Banco Central Europeu anunciou que irá ampliar seu programa de compra de ativos em 500 bilhões de euros, estendendo o seu tempo de vigência até marco de 2022. 

Juros no Brasil

O  evento da semana no mercado financeiro no Brasil foi a última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom.

A autoridade monetária manteve a taxa Selic em 2% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado. No entanto, o comunicado da decisão trouxe uma nova visão sobre a prescrição futura, termo cunhado para definir a sinalização do BC de que manterá os juros baixos por período prolongado.

Desta vez, o comunicado mencionou, pela primeira vez, que as condições para a manutenção da prescrição futura podem não ser mais satisfeitas em breve.

Os analistas do Banco Safra avaliam que o comunicado abriu a possibilidade de o Banco Central alterar suas projeções. A expectativa é que isso irá ocorrer somente em março. E os juros, por sua vez, devem subir apenas em agosto. 

Leia o Safra Report para o último mês de 2020.

(Agência Estado)

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