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Colômbia: após 5 dias de protestos, ministro renuncia

Projeto da Reforma Tributária desencadeou uma série de protestos violentos nas ruas que deixaram ao menos 19 mortos

Protestos Colômbia

Imagem que circula nesta terça-feira,4, nas redes sociais denuncia repressão violenta do governo contra os protestos | Foto: Reprodução Twitter

O ministro da Finanças da Colômbia, Alberto Carrasquilla, renunciou nesta segunda, 3, um dia depois de o presidente Iván Duque retirar o projeto de lei de reforma tributária apresentado ao Congresso.

A apresentação do projeto desencadeou uma série de violentos protestos nas ruas que duraram cinco dias dias e deixaram ao menos 19 mortos.

Ministro do Comércio deve assumir a pasta

“Minha continuidade no governo dificultaria a construção rápida e eficiente dos consensos necessários” para levar adiante outro projeto de reforma”, afirmou Carrasquilla, em sua carta de renúncia a Duque.

Ele será substituído pelo economista José Manuel Restrepo, atual ministro do Comércio, segundo anunciou Iván Duque em suas redes sociais

A violência que se seguiu por cinco dias de protestos maciços contra a reforma tributária na Colômbia deixou ao menos 800 feridos. As mobilizações continuavam nesta segunda-feira, 3.

Segundo balanço da Defensoria do Povo, 18 civis e 1 policial morreram nas manifestações que começaram no dia 28 de abril em todo o país. Mais cedo, o balanço era de 17 mortos. Já o ministério da Defesa contabilizou 846 feridos, dos quais 306 civis.

Ministro da Defesa culpa FARC por protestos

O ministro da Defesa, Diego Molano, garantiu que os atos de violência foram “premeditados, organizados e financiados por grupos dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)” que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016, e pelo ELN (Exército de Libertação Nacional), a última guerrilha reconhecida na Colômbia.

As autoridades prenderam 431 pessoas durante as dispersões e o governo ordenou o envio de militares para as cidades mais afetadas. ONGs e a oposição acusam a polícia de atirar em civis.

Pressionado pelas manifestações nas ruas, o presidente Duque ordenou no domingo a retirada da proposta que era debatida com ceticismo no Congresso, onde um amplo setor a rejeitava por punir a classe média e ser inadequada em meio à crise desencadeada pela pandemia de covid-19.

Novo projeto deve excluir pontos polêmicos

O presidente propôs a elaboração de um novo projeto que descarta os principais pontos de discórdia: o aumento do ICMS sobre serviços e mercadorias e a ampliação da base de contribuintes com imposto de renda.

Os protestos não foram, porém, apenas contra o aumento de impostos. Manifestações exigiam mais medidas de proteção social aos trabalhadores afetados pelo novo coronavírus.

O governo de Iván Duque tenta desde 2019, sem sucesso, implementar a reforma tributária. (Com Agência Estado)

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