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Copom eleva juros pela 11ª vez seguida e Selic chega a 13,25%

Inflação persistente no Brasil e juros subindo no mundo fizeram com que autoridade monetária aumentasse mais uma vez a Selic

Copom

O Banco Central pode considerar manter o ciclo de alta dos juros por mais tempo em razão da aproximação das eleições, que causam instabilidade política e econômica | Foto: Getty Images

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros pela 11ª vez consecutiva. A Selic subiu 0,5 ponto percentual e passa a ser de 13,25% ao ano. Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude.

O mercado já esperava esta alta e alguns analistas acreditam que a autoridade monetária brasileira deve manter o ciclo de elevação da Selic por mais uma ou duas reuniões, para conter a inflação. Confira o comunicado oficial AQUI.

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“A inflação continua persistente e a forma de conter preços ainda é manter as taxas de juros altas porque freia a demanda e o consumo”, disse Fabio Louzada, economista, analista CNPI. “Isso vai pesar na decisão do Banco Central, que dificilmente vai bancar o fim do aperto com a escalada dos preços e os juros nos EUA subindo.” Para ele, a Selic deve fechar o ano em 14%.

A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,47% em maio, após ter alcançado 1,06% em abril. No ano, o indicador acumula alta de 4,78% e, nos últimos 12 meses, de 11,73%, abaixo dos 12,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) também decidiu subir a taxa de juros para o intervalo de 1,50% e 1,75%.

O aumento de 0,75 ponto percentual sobre o intervalo anterior é o terceiro consecutivo promovido pela autoridade monetária e representa a maior elevação dos juros americanos desde 1994.

Ciclo de alta dos juros deve se estender

Além do ambiente inflacionário no cenário local e no mundo, segundo Louzada, o Banco Central pode considerar manter o ciclo de alta da Selic por mais tempo em razão da aproximação das eleições, que causam instabilidade política e consequentemente econômica. “Com redução de juros, instabilidade política e mundo subindo juros, a tendência é entrar menos dinheiro no Brasil”, disse o economista.

Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil, também acredita que o Copom não deve encerrar o ciclo de alta da Selic na próxima reunião. Segundo ele, o comitê tenta indicar desde a primeira reunião de 2022 que o ciclo de alta seria mais curto, “só que sempre deixando a porta aberta para novos ajustes”, disse.

“Com os preços em alta, é difícil imaginar que o ciclo esteja realmente perto do fim. Provavelmente, mais alguns ajustes serão necessários não só no Brasil, mas principalmente nos EUA”, afirmou Alves.

Para Simone Pasianotto economista chefe da Reag Investimentos, no entanto, o BC deve subir somente mais uma vez a taxa de juros no Brasil, sendo que a projeção é de uma Selic de 13,75% até agosto de 2023.

“Há argumentos para tanto, uma vez que a política monetária doméstica já demonstra sinais de restrição, o que justificaria ao Copom pausar a puxada nos juros para avaliar em alguns meses os efeitos práticos da alta da Selic no que diz respeito à atividade, dívida, mercado de trabalho e principalmente nível de preços”, disse Pasianotto.

Segundo ela, o Copom, no entanto, pode adotar uma postura mais flexível após a reunião de hoje. “Dando espaço de manobra no caso de considerar necessário estender o ajuste monetário por mais tempo.”

Íntegra do comunicado do Copom

Em sua 247ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,25% a.a.

A atualização do cenário do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • O ambiente externo seguiu se deteriorando, marcado por revisões negativas para o crescimento global prospectivo em um ambiente de fortes e persistentes pressões inflacionárias. O aperto das condições financeiras motivado pela reprecificação da política monetária nos países avançados, assim como pelo aumento da aversão a risco, eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, o conjunto dos indicadores divulgado desde a última reunião do Copom indica um crescimento acima do que era esperado pelo Comitê;
  • A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 8,5%, 4,7% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 4,90*, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). Esse cenário supõe trajetória de juros que termina 2022 em 13,25% a.a., reduz-se para 10,0% em 2023 e 7,50% em 2024. Optou-se por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses, terminando o ano em US$110/barril, e passa a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2022, de 2023 e de 2024. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de 7,0% para 2022, 6,3% para 2023 e 3,3% para 2024. As projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local; e (ii) uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada. Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária. O Comitê avalia que a conjuntura particularmente incerta e volátil requer serenidade na avaliação dos riscos.

Considerando os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 13,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude. O Comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza e Renato Dias de Brito Gomes. 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.”

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