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China tenta superar obstáculos ao crescimento econômico

Crise imobiliária e baixa confiança dos consumidores dificultam o crescimento da China, mesmo após medidas governamentais de estímulos à atividade

China crescimento

Medidas econômicas na China injetam ânimo no mercado, mas não eliminam a necessidade de mais apoio à atividade econômica nos próximos meses | Foto: Getty Images

O setor imobiliário foi um dos principais motores do crescimento da China até a década passada. O aumento anual no ritmo de construção resultou em grande estoque de imóveis e em uma participação muito expressiva do setor da moradia no PIB, estimada em acima de 25% no auge da série, segundo análise do Banco Safra.

Na virada da década o governo decidiu esfriar o setor e os sintomas de excesso de oferta se tornaram evidentes, levando a uma redução continuada do número de novos lançamentos e dos preços dos imóveis novos. O volume de vendas no começo de 2024 representou apenas dois terços das vendas do começo de 2023 (Gráfico 15).


A perda de valor dos imóveis, parte importante da riqueza das famílias chinesas, deve estar contribuindo para a baixa confiança do consumidor chinês e para a alta da taxa de poupança das famílias, com reflexos negativos nas vendas no varejo, que não recuperaram seu ritmo de crescimento anterior à pandemia.

Nesse quadro, o crédito para indivíduos tem mostrado pouco dinamismo, apesar das cautelosas reduções das taxas básicas de juros efetuadas pelo banco central (PBoC).

A queda da inflação nos últimos trimestres contribui para neutralizar o efeito dos cortes nas taxas nominais de juros, os quais acabam se mantendo relativamente altos em termos reais.

Na falta de opções para investir a poupança, o volume de depósitos bancários tem crescido substancialmente, o que é conveniente ao proteger o balanço dos bancos em um momento em que muitos empréstimos às construtoras enfrentam dificuldade em serem pagos.

Apesar do pouco vigor do mercado consumidor doméstico, a produção industrial foi forte nos primeiros meses do ano. Em relação a abril de 2023, a indústria acumula crescimento de 6,7%, com destaque para as altas na produção de automóveis e de insumos e equipamentos industriais.

Apesar do relativo sucesso das vendas domésticas de automóveis, grande parte da produção industrial doméstica precisa encontrar compradores no exterior.

A demanda global por bens duráveis tem sido, no entanto, moderada, devido à retomada do consumo de serviços e às políticas monetárias restritivas nas principais economias não asiáticas.

Assim, os preços de exportação dos produtos chineses têm caído em dólares, o que tem contribuído para o processo desinflacionário global, sem embargo de movimentos protecionistas que essas exportações possam criar.

Diante do desafio de manter o crescimento do PIB chinês perto de 5% anuais, as autoridades têm anunciados alguns estímulos à economia. Dada a evidente aversão ao risco dos investidores locais, o governo resolveu ofertar uma maior quantidade de títulos públicos para financiar esses estímulos, como verificado nos anúncios de 17 de maio, envolvendo a emissão de títulos no montante de um trilhão de yuans (aproximadamente US$ 140 bilhões).

Também foi anunciado um plano de apoio ao mercado imobiliário de 300 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 42 bilhões), envolvendo a compra de unidades residenciais pelos governos locais. Essa ação para estabilizar o mercado foi, inclusive, recomendada pelo FMI.

Ainda que modestas na escala da China, essas medidas representam uma mudança de postura do governo, agora mais aberto a estímulos econômicos que não interfiram na oferta de mão de obra.

Essas medidas parecem necessárias, apesar do PIB chinês ter tido crescimento real de 1,6% no primeiro trimestre de 2024. Esse resultado mais forte do que esperado gerou um carrego estatístico de 3,6% para o PIB anual, cuja meta de crescimento é de 5%.

Apesar da confiança que injetou em alguns mercados, refletida pelo aumento de preço de diversas commodities metálicas recentemente, a expansão das exportações e o crescimento do PIB no começo do ano não eliminam a provável necessidade de contínuo apoio à atividade econômica nos próximos meses, em vista da baixa inflação e prováveis restrições às exportações chinesas (o Brasil, por exemplo, anunciou aumento de tarifas sobre a importação de aço).

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