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‘Estou definhando, e você, tudo bem?’

O termo ‘languishing’, que significa definhando, traduz o sentimento das pessoas na pandemia, escreve o psicólogo Adam Grant no NYT

Mulher de máscara olha pela cortina

Ainda temos muito a aprender sobre o que causa o languish e como curar esse sentimento, mas nomeá-lo pode ser um primeiro passo”, escreve o psicólogo | Foto: Getty Images

Nas conversas via aplicativos, um assunto é cada vez mais frequente: o que estamos sentindo depois de mais de um ano de isolamento e em meio a notícias de que as coisas ainda podem piorar antes de começarem a melhorar. Alguns sentem dificuldade para se concentrar. Mesmo com a hora da vacina chegando, alguns não conseguem se entusiasmar. Insônia, excesso de filmes na TV e de redes sociais. Um artigo publicado no New York Times traz a definição desse sentimento: ‘languishing’. Tradução: definhando.

O artigo do psicólogo organizacional Adam Grant cita que o termo foi usado pela primeira vez com este significado há 20 anos pelo sociólogo Corey Keyes. Em resumo, o sentimento é definido como um estado de vazio e estagnação, ou um “desespero silencioso”. Também pode ser definido como o inverso do flourishing (florescimento, em português), quando a pessoa sente níveis mais elevados de bem-estar, diante de emoções positivas, esperança no futuro e de crescimento enquanto ser humano.

Não é ‘burnout’ e nem depressão

O languishing bem diferente do ‘burnout’, a sensação de fósforo queimado quando estamos exaustos do trabalho. Nesse caso, ainda temos alguma energia.

O languishing também não chega a ser depressão, embora também dê a sensação de falta de esperança, de alegria e de algum rumo. Definhar é ter a sensação de estagnação e vazio. Parece que os dias passam enquanto olhamos a vida através de um para-brisas nebuloso.

Nos primeiros dias incertos da pandemia, é provável que o sistema de detecção de ameaças do seu cérebro – chamado de amígdala – estivesse em alerta máximo para luta ou fuga. Quando você aprendeu que as máscaras ajudam a nos proteger – mas a limpeza das compras do supermercado não – você provavelmente desenvolveu rotinas que aliviavam sua sensação de pavor. Mas a pandemia se arrastou, e o estado agudo de angústia deu lugar a uma condição crônica de languishing.

O sentimento, segundo o artigo, é filho negligenciado da saúde mental. É o vazio entre a depressão e o florescimento, ou a ausência de bem-estar. O grande perigo é que quando você está definhando, você pode não notar. A tendência escorregar para a solidão. Você fica indiferente à sua própria indiferença. E quando você não pode ver o seu próprio sofrimento, você não procura ajuda e nem tenta se ajudar, explica o autor do artigo.

Como fugir da sensação de definhamento

“Ainda temos muito a aprender sobre o que causa o languishing e como curar esse sentimento, mas nomeá-lo pode ser um primeiro passo”, escreve o psicólogo. Ele enumera algumas coisas simples para evitar esse sentimento:

  • Lembre que não está só e compartilhe o que sente.
  • Quando um amigo perguntar, pode responder: “Honestamente, estou definhando”
  • Procure saber como estão as pessoas que você gosta.
  • -Dê a si mesmo algum tempo de descanso
  • Concentre-se em pequenos objetivos antes de buscar outros maiores

“Definhar não está apenas em nossas cabeças – mas nas nossas circunstâncias. Você não pode curar uma cultura doentia com ataduras pessoais. Ainda vivemos em um mundo que normaliza os desafios da saúde física, mas estigmatiza os desafios de saúde mental. À medida que avançamos para uma nova realidade pós-pandemia, é hora de repensar nossa compreensão da saúde mental e do bem-estar. Reconhecendo que muitos de nós estão definhando, podemos começar a dar voz ao desespero silencioso e iluminar um caminho para fora do vazio”, resume Adam Grant.

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