Ibovespa cai 1,11% na sexta-feira, 13, mas fecha semana em alta de 1,39%
Ibovespa volta a mostrar sinal negativo (-0,70%) no acumulado do mês, limitando o avanço do ano a 5,49%. O dólar sobe 0,77% a R$ 5,08
13/10/2023Na retomada dos negócios após o feriado, o Ibovespa não conseguiu evitar o sinal negativo que se impôs em Nova York nessas últimas duas sessões da semana. Assim, a Bolsa buscou mínimas no meio da tarde, em linha com a piora em NY, onde os índices de ações haviam subido em parte da manhã, mas perderam fôlego não muito tempo depois da abertura com a leitura sobre o índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos em setembro, que se coadunou com o resultado acima do esperado para a inflação (CPI), divulgada na manhã anterior.
Hoje, após ganhos nas quatro sessões anteriores, o Ibovespa oscilou entre mínima de 115.658,27 (-1,19%) e máxima de 117.070,35 (+0,02%), encerrando o dia em baixa de 1,11%, a 115.754,08 pontos, com giro financeiro a R$ 21,2 bilhões. Na semana, o índice da B3 subiu 1,39%, vindo de perda de 2,06% acumulada no intervalo anterior. No mês, com a retração no pregão desta sexta-feira, volta a mostrar sinal negativo (-0,70%), limitando o avanço do ano a 5,49%. O dólar fechou em alta de 0,77%, cotado a R$ 5,0885.
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Em Nova York, Dow Jones obteve leve ganho de 0,12% no fechamento desta sexta-feira, com perda de 0,50% para o S&P 500 e de 1,23% para o Nasdaq na sessão – na semana, o Dow Jones avançou 0,79% e o S&P 500, 0,45%, enquanto o Nasdaq cedeu 0,18%. Nesta sexta-feira, a perda de gás em Nova York acompanhou sinais de deterioração da confiança do consumidor americano, na métrica da Universidade de Michigan, em leitura que trouxe também aumento das expectativas dos consumidores para a inflação nos Estados Unidos.
De ontem para hoje, Israel deu ultimato de 24 horas para que civis sejam retirados da Cidade de Gaza e da faixa norte do território sob controle do Hamas, o que foi interpretado como sinal de que as forças de defesa do país estão prestes a ocupar essa área palestina.
Refletindo também a possibilidade de que terceiras partes se envolvam no conflito – o que já acontece com o grupo Hezbollah, que atua a partir do sul do Líbano, e com alguns ataques palestinos a partir da fronteira da Síria com Israel -, o petróleo voltou a operar muito pressionado nesta sexta-feira, após algum alívio observado antes do feriado no Brasil. A atenção está concentrada no Irã, grande produtor da commodity, e que a princípio buscou distância do ataque feito no último sábado, 7, pelo Hamas – um aliado histórico da teocracia persa.
Guerra volta a pressionar cotação do petróleo e Petrobras é destaque no Ibovespa
Assim, com o petróleo Brent e WTI em alta acima de 5% no fechamento desta sexta-feira, o desempenho de Petrobras (ON +3,15%, PN +3,30%) contribuiu para evitar queda ainda maior para o Ibovespa ao longo do dia. Na ponta ganhadora do índice, além da estatal, destaque para as petrolíferas Prio (+5,04%) e 3R Petroleum (+3,19%), além de Suzano (+3,37%). No canto oposto, Grupo Casas Bahia (-8,20%), Soma (-7,26%) e Natura (-7,01%). Na semana, Petrobras ON e PN subiram, respectivamente, 8,11% e 8,27%.
Afora Petrobras, as demais ações de peso e liquidez na B3 – entre as quais Vale (ON -1,14%), mesmo com a alta de 1,45% no minério de ferro em Dalian (China) – cederam terreno na sessão. Na semana, a ação da mineradora caiu 0,40%. Entre os grandes bancos, o dia também foi de correção, com destaque para a queda de 1,79% em Santander (Unit) – que avançou, contudo, 1,07% na semana, em intervalo também levemente positivo para Bradesco (ON +0,24%, PN +0,14% na semana).
Do exterior, de ontem para hoje, destaque ainda para a divulgação de nova rodada de indicadores sobre a economia chinesa, com atenção especial para os dados de comércio exterior. Tanto as exportações como as importações chinesas recuaram 6,2% no mês passado, ante o mesmo intervalo de 2022, com as vendas para o exterior mostrando retração pelo quinto mês consecutivo – ainda assim, a leitura veio melhor do que a estimativa de consenso, de queda de 8,3% para setembro, conforme a FactSet.
Inflação e crédito na China
Na China, também foram divulgadas leituras sobre inflação e concessão de crédito pelos bancos. O índice de preços ao consumidor (CPI) permaneceu estável em setembro, na comparação anual, enquanto a inflação ao produtor (PPI) recuou 2,5% na mesma base de comparação. Por fim, a concessão de novos empréstimos por bancos chineses avançou com intensidade em setembro, bem acima da leitura de agosto, atingindo agora a marca de 2,31 trilhões de yuans, o correspondente a US$ 316,31 bilhões – no entanto, ficou um pouco abaixo da expectativa de consenso para o mês, de 2,63 trilhões de yuans, segundo analistas ouvidos por The Wall Street Journal.
Apesar da aversão a risco que deu o tom aos negócios na semana em todo o mundo, a maioria dos participantes do Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira acredita que o Ibovespa terá desempenho positivo no agregado das próximas cinco sessões. Os que esperam alta para o índice são 60,00%, leve abrandamento em relação aos 62,50% que estimavam tal movimento na semana passada. Os que acreditam em estabilidade passaram de 25,00% para 40%. Não houve estimativas de queda, ao passo que na sexta-feira passada esse contingente era de 12,50%.
Dólar acelera ganhos e fecha em alta cotado a R$ 5,08
O dólar à vista acelerou os ganhos ao longo da tarde e, após registrar máxima a R$ 5,1027, encerrou a sessão desta sexta-feira, 13, em alta de 0,77%, cotado a R$ 5,0885. Em meio a incertezas provocadas pela escalada do conflito o Oriente Médio ao longo do fim de semana, diante de provável invasão terrestre da Faixa de Gaza por tropas israelenses, investidores intensificaram a busca por proteção na moeda americana durante a segunda etapa de negócios. Israel deu 24 horas para evacuação do norte de Gaza, algo rechaçado pelo grupo palestino Hamas e visto como inviável pela comunidade internacional.
Apesar do estresse hoje, a divisa encerra a semana em baixa de 1,43%, refletindo a perspectiva crescente de que não haverá alta de juros nos EUA em novembro, após discursos de diversos dirigentes do Federal Reserve nos últimos dias ponderando que a taxa básica americana já está em nível restritivo. Em outubro, contudo, o dólar ainda acumula valorização de 1,23%, em razão da disparada na primeira semana do mês.
Além da questão geopolítica, houve nesta sexta-feira um ajuste de posições à nova leva de indicadores dos Estados Unidos. Ontem, com os mercados locais fechados, saiu o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de setembro, com resultado ligeiramente acima do esperado para o número cheio, mas leituras de núcleo em linha com as expectativas. Pela manhã, pesquisa da Universidade de Michigan mostrou queda do sentimento do consumidor além do projetado e piora da expectativa de inflação para 1 e 5 anos.
Referência do comportamento do dólar em relação a seis divisas fortes, o índice DXY – que ontem subiu 0,74% na esteira do CPI – hoje apresentou leve alta, ao redor dos 106,700 pontos. As taxas dos Treasuries recuaram em bloco, em claro sintoma de aversão ao risco. O retorno da T-note de 10 anos, que chegou a atingir 4,80% recentemente, agora trabalha abaixo de 4,65%. Já em alta pela manhã, as cotações do petróleo dispararam ao longo da tarde. O contrato do Brent para dezembro voltou a superar o nível de US$ 90 ao fechar em alta de 5,69%, a US$ 90,89 o barril. (AE)