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Indústria cresce para além do Sudeste em uma década

Confederação Nacional da Indústria aponta que participação no PIB industrial entre Sudeste e o resto do País é de quase 50% cada

Metalúrgicos trabalhando em indústria

Na indústria de transformação, vários setores migraram para fora da região Sudeste, que ainda concentra 55,1% da produção manufatureira | Foto: Getty Images

Em dez anos, a indústria nacional ficou menos concentrada nos Estados do Sudeste e registrou crescimento em outras regiões do país.

É o que mostra um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que analisou o crescimento da indústria entre os biênios 2007/2008 e 2017/2018.

No período, o Sudeste reduziu a participação no Produto Interno Bruto (PIB) da indústria em 7,66 pontos percentuais (p.p.).

O Nordeste ganhou 2,06 p.p. em participação e a região Sul, 2,46 pontos percentuais.

Mesmo assim, o Sudeste – muito puxado por São Paulo e Rio de Janeiro, continua responsável por 53,9% do PIB industrial, seguido pelo Sul com 19,4%. O Nordeste tem 12,93% de participação; o Norte, 7%; e o Centro-Oeste, 6,7%.

Crescimento da indústria de transformação

No principal segmento industrial do país, o de transformação, vários setores tiveram migrações importantes para fora da região Sudeste, que ainda concentra 55,1% da produção manufatureira. São Paulo detém 38,14% de todo o valor produzido por esse setor.

Apesar de ainda ser o Estado mais importante na produção manufatureira, São Paulo deu espaço a outras unidades da federação em diversos setores.

Na indústria de celulose, a participação da indústria paulista caiu de 50,31% para 31% em dez anos.

Apesar de ainda ser o maior produtor, outros Estados passaram a ter maior importância, como Mato Grosso do Sul, que respondia por 0,23% da produção no biênio 2007/2008 e se tornou o terceiro maior produtor nacional em 2017/2018, respondendo por 11,08% do total.

No setor de vestuário, São Paulo foi ultrapassado por Santa Catarina. Nos anos 2007/2008, a indústria paulista produzia cerca de R$ 4 bilhões em produtos de vestuário e as empresas catarinenses, R$ 2,5 bilhões.

Dez anos depois, Santa Catarina tem 26,75% da produção do setor, equivalente a R$ 6,6 bilhões ao ano, enquanto São Paulo tem uma parcela de 22,57% da manufatura de vestuário do país (R$ 5,5 bilhões).

A Bahia foi o Estado a indústria de transformação registrou maior crescimento, passando de uma participação de 2,6% para 4,05% da produção brasileira.

A indústria baiana conseguiu destaque na fabricação de produtos minerais não metálicos (cimento, tijolos, vidro), em máquinas e materiais elétricos e bebidas.

Pernambuco foi o segundo Estado que mais aumentou em pontos percentuais a participação na indústria de transformação nacional, com o crescimento de 1,3 p.p., chegando a 2,84% da produção do país.

Esse resultado foi possível com a expansão no estado da indústria de veículos, derivados de petróleo e biocombustíveis.

Indústria de extração

Na indústria extrativa, o Rio de Janeiro perdeu 22,45 p.p. de participação, caindo de 61,54% da produção nacional para 39,09% em dez anos.

Essa queda se deve, principalmente, à redução dos preços médios do petróleo e gás natural, setor que representa 88% da indústria extrativa fluminense.

Mesmo com uma perda de 3,85 p.p. em dez anos, o Sudeste ainda é responsável por 75,54% da indústria extrativa do país.

No período, a região Norte ganhou 9,94 pontos percentuais, ficando com parcela de 16,9% da indústria de extração.

O Pará é o terceiro estado mais importante do segmento, com 15,97% da produção nacional. Esse resultado se deve à alta dos preços especialmente dos minerais metálicos.

Construção

Na indústria da construção, a região Sudeste caiu 9,69 p.p. na parcela de participação do segmento, concentrando 38,45% dessa produção.

Em dez anos, o Norte teve uma expansão de 6,61 p.p. e, agora, responde por 12,6% da indústria da construção do pais.

A região Nordeste concentra 20,16% do segmento da construção, após crescer 4,95 p.p. em uma década. (Agência Brasil)

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