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Juros em alta fortalecem fundos de renda fixa e previdência

Os fundos de renda fixa apresentaram captação robusta no ano, impulsionada por juros ainda elevados; fundos de previdência também crescem

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Mercado projeta uma Selic mais alta do que o anteriormente esperado, fazendo o juro real de longo prazo ultrapassar 6% | Foto: Getty Images

Apesar da ausência de indícios de excesso de demanda e dos núcleos de inflação próximos do centro da meta, o mercado elevou sua expectativa de alta da inflação, o que torna menos prováveis cortes de juros nas próximas reuniões do Copom. Assim, o time de macroeconomia do Banco Safra espera apenas mais uma redução na taxa Selic, que deve chegar a 10,25% no fim de 2024.

Nos EUA, a surpresa com a atividade e inflação persistentemente alta devem manter os juros elevados ao menos até setembro, quando o Fed deveria iniciar o ciclo de cortes de juros. O Safra espera um corte de juros pelo BC americano em setembro e outro em dezembro, se não houver mais surpresas negativas. Diante desse cenário externo ainda incerto (que deve manter juros mais elevados por mais tempo) e da proximidade das eleições nos EUA (que deve também impactar a condução da política monetária futura), o rendimento do título público de 10 anos nos EUA atingiu 4,5%.

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No Brasil, a perspectiva de equilíbrio da dívida pública somente no médio prazo e a piora nas expectativas de inflação fizeram com que o mercado projetasse uma Selic mais alta do que o anteriormente esperado, fazendo o juro real de longo prazo ultrapassar 6%.

Além da pressão externa, a inflação de serviços (acima do esperado pelo mercado em alguns itens) e os receios com a situação fiscal em 2025 no Brasil aumentaram as incertezas sobre o cenário de equilíbrio dos juros e levaram o banco central brasileiro a reduzir o ritmo de cortes de juros. Com isso, a curva de juros brasileira precifica a manutenção da Selic em 10,5% em 2024, acima das estimativas do time de economistas do Safra, que espera mais um corte de 0,25 ponto percentual, para 10,25%.

No ano, os investidores estrangeiros retiraram R$25,4 bilhões da B3, provavelmente considerando que o diferencial entre os juros da economia norte-americana e os juros brasileiros mudou (favorecendo a primeira), já que os juros nos EUA devem ficar altos por mais tempo.

Além disso, o risco percebido para a economia brasileira aumentou (o CDS está em 146 pontos ante 131 no início do ano), tanto pela percepção de interferência do governo em algumas empresas como pela incerteza sobre a disciplina fiscal e, mais recentemente, pela possibilidade de um PIB mais fraco em 2024 e 2025 em função de uma taxa de juros mais restritiva e dos possíveis impactos da catástrofe no Rio Grande do Sul, que devem afetar negativamente o cenário no curto prazo (apesar de poderem ter efeito positivo mais a frente por conta da reconstrução).

Cresce a captação de fundos de renda fixa e previdência

Os fundos de ações e multimercados perdem relevância para FIPs, FIDCs, ETFs e FIIs. Os fundos de renda fixa apresentaram captação robusta no ano, impulsionada por juros ainda elevados. Mesmo assim, eles possuem hoje uma participação na indústria de fundos inferior à média histórica dos últimos dez anos.

Os fundos de previdência, FIDC, FIPs e outros (como FIIs e ETFs) também apresentam captação positiva no ano e ganharam participação no mercado.

Já os fundos multimercados, de ações e cambiais seguem sofrendo saques, com destaque para o grande volume resgatado dos fundos multimercados. O cenário atual de incertezas e juros acima de dois dígitos deveria manter mais atrativos os fundos de renda fixa, FIDCs e isentos.

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