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A ciência pode sair mais unida da pandemia?

Professor e filósofo Mario Sergio Cortella diz que o ser humano percebeu que a colaboração científica é essencial para o mundo

Embora enxergue maior parceria na ciência, especialista acredita que a sociedade não estará mais unida de forma geral | Foto: Elaine Higa/Divulgação

Conhecido pelas reflexões sobre o comportamento humano, o professor, escritor e filósofo Mario Sergio Cortella vê um grande avanço para o futuro da ciência com a corrida pela vacina contra a covid-19.

Para Cortella, a pandemia fez o ser humano perceber que, por mais complexo e poderoso que seja um vírus ou qualquer outro inimigo da sociedade, a colaboração científica pode sempre se sobressair.

“Estamos enxergando que, quando fazemos ciência colaborativa, a junção de inteligências para entender que algo como a pandemia é um momento difícil, mas não intransponível, isso oferece um pouco mais de esperança”, afirmou Cortella.

Por outro lado, o especialista disse que, racionalmente, não enxerga um mundo mais unido como sociedade, no futuro.

Cortella afirmou que seria ótimo se “saíssemos com mais inteligência e solidariedade” da pandemia. Mas, segundo ele, a razão mostra que o comportamento será o contrário.

“Nem precisamos esperar que termine desse jeito, com união, porque enquanto a pandemia acontece, não há essa forma de ação”, disse. “Nós somos mais tolos como humanidade, individual e coletivamente, do que seria bom”.

O filósofo fez um balanço sobre o difícil ano de 2020 para a humanidade em entrevista para a série Cenários“, apresentado pela jornalista Sonia Racy, do Estadão e transmitida pelo Youtube.

Comportamento

Além de pandemia e ciência, a entrevista tratou de outros assuntos que envolvem o comportamento, em especial, do povo brasileiro.

Mario Sergio Cortella falou sobre a origem e o avanço do fenômeno da polarização de ideias sobre política, economia ou qualquer outra área de estudo.

Para ele, o desenvolvimento sem a mitigação da desigualdade foi um dos fatores que potencializaram a polarização no Brasil e no mundo.

“Isso vem do fato de que temos uma sociedade mais competitiva. A globalização levou a disputa maior por territórios econômicos. As grandes cidades, ao fazerem essa alta concentração, trouxeram uma série de sufocos à nossa convivência”, explicou Cortella.

O especialista também falou sobre ética. Ele destacou que a pandemia não representa um passe-livre para que atitudes emergenciais sejam tomadas por qualquer cidadão, sem considerar o contexto coletivo.

“A ética não foi suspensa durante a pandemia. Como nossa vida continuará no tempo pós-pandêmico, é preciso que não esgarcemos e rompamos com as formas de ética”.

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