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Amir Somoggi

Amir Somoggi

ESG no esporte, ainda vamos falar muito disso!

O mundo do esporte é inspiracional e conceitos ganham gigantesca dimensão midiática e podem ajudar a mudar o mundo. Veja três projetos maravilhosos de ESG com esporte

O mundo empresarial tem uma sigla cada vez mais presente em suas reuniões: ESG. Os temas ESG (Environmental, Social e Governance) estão pautando as decisões estratégicas e de gestão das companhias. Presente e futuro têm que ser sustentáveis, ou a terra não sobreviverá.

A questão ambiental tem temas como: energias renováveis, reciclagem de resíduos sólidos, uso consciente da água, poluição dos mares, devastação de florestas e biomas, alterações climáticas e um sem-fim de temas muito associados ao Brasil, inclusive.

Aspectos sociais têm como temas igualdade, contribuição empresarial à sociedade, combate ao racismo, homofobia, sexismo e tantos avanços sociais que as empresas podem e devem contribuir.

Com os impactos da pandemia, isso se intensificou ainda mais e atualmente pensar em sustentabilidade, no auxílio aos menos favorecidos e modernas práticas de gestão corporativa e compliance é a realidade do mundo empresarial.

ESG e o esporte

A indústria esporte, setor que antes da pandemia movimentava quase US$ 800 bilhões anuais, tem forte impacto ambiental e social. E na Europa, EUA e Ásia vem apresentando excelentes projetos ESG.

Reciclagem de calçados e artigos esportivos, emissão de CO2 (carbono), produção de resíduos sólidos, uso de energias renováveis, formação de jovens cidadãos, prática e iniciação esportiva da população. São muitos os temas ligados ao esporte e à questão ESG.

É importante destacar que os mercados mais adiantados em ESG no esporte são aqueles que criaram um modelo sólido de gestão esportiva empresarial.

Temas como recolhimento de impostos, sustentabilidade, projetos sociais efetivos, pagamento em dia de salários, respeito ao adversário. Tudo isso já faz parte da cultura organizacional destes mercados. O conceito de Responsabilidade Corporativa também está integrado à gestão do esporte e, agora, o ESG.

No Brasil, ainda temos times sonegando impostos, não pagando salários em dia, com baixa preocupação humanitária, emitindo C02 sem qualquer tipo de neutralização, falta de transparência e governança, enfim, não fazendo o básico do básico da gestão empresarial. Precisamos evoluir muito em ESG no esporte brasileiro.

Os clubes de futebol, por exemplo, nesse momento terrível de mais de 3 mil mortos/dia no Brasil, brigando para jogar a qualquer custo, mesmo com as regulações governamentais balizadas na ciência.

O futebol em muitos países contribuiu para ajudar a saúde pública, a conscientização da população e a parada das atividades, inclusive, foi usada para criar ações que ajudassem à sociedade.

Um ótimo exemplo foi o Atlético Nacional da Colômbia que, quando o futebol parou, colocou o ônibus do time principal a disposição de funcionários da área da saúde para não precisar usar o transporte público.

Um ato simbólico, mas que coloca a saúde e crise sanitária em primeiro lugar. Os clubes têm força midiática para contribuir decisivamente com o mundo!

Exemplos que inspiram

O mundo do esporte é muito inspiracional e conceitos ganham gigantesca dimensão midiática e podem ajudar a mudar o mundo para melhor.

Selecionei três projetos maravilhosos de ESG com esporte. Um de uma marca corporativa, outro de um time e de um jogador. Atletas cada vez têm mais força de comunicação que os clubes.

Adidas, End Platic Waste

A Adidas, gigante de material esportivo, escolheu a sustentabilidade e o ESG para seus negócios. E foi fundo ao escolher um dos temas mais terríveis da sociedade atual: a poluição dos mares e oceanos. O projeto “End Plastic Waste” quer acabar com os resíduos de plástico no mundo.

O uso excessivo de plástico está acabando com os oceanos, a vida marinha e a flora. E os peixes que consumimos já trazem os plásticos que não reciclamos, uma tragédia.

Foto: Adidas

Com essa proposta, o projeto que, em 2017 havia produzido 1 milhão de pares de tênis com a utilização do plástico retirado dos oceanos, atualmente já passa de 15 milhões e em 2021 espera ultrapassar a marca de 17 milhões de pares produzidos.

A empresa utilizou o poder midiático de seus patrocínios e de suas competições de running pelo mundo para divulgar a visão sustentável de um planeta melhor.

Atualmente, 60% dos seus produtos já são à base de materiais reciclados. Até 2024 esse índice terá que ser de 100%.

Real Betis, Forever Green

O time de futebol Real Betis, da cidade de Sevilha, na Espanha, criou um projeto lindo chamado “Forever Green”. O clube, que tem o verde em seu símbolo e uniforme, criou um amplo projeto global, trabalhando diferentes conceitos de ESG. E conta com apoio governamental e da LaLiga (campeonato nacional de futebol masculino).

Foto: Real Betis Balompié

O clube acredita que sem sustentabilidade não há futebol e quer ter a torcida mais sustentável do planeta. O clube lançou uma plataforma aberta para que empresas possam apresentar ao mundo seus projetos sustentáveis.  Os projetos podem comtemplar diferentes eixos como: mudanças climáticas, reciclagem, clube sustentável, natureza e mobilidade urbana.

O Real Betis é um clube 100% carbono zero, já que neutralizou suas emissões com uso de energias renováveis.

Hector Bellerin, One Tree Planted

O jogador espanhol Hector Bellerin, do Arsenal da Inglaterra, participa do projeto “One Tree Planted”, que é uma gigantesca iniciativa de reflorestamento em pleno Araguaia, no Brasil.

Essa ação consiste no plantio de 3 mil árvores a cada vitória do Arsenal. Desde seu lançamento em junho de 2020 já foram plantadas mais de 58 mil árvores em uma região muito necessitada para o equilíbrio da Terra.

O projeto visa criar um corredor de biodiversidade que conecta dois dos ecossistemas mais vitais do mundo, a Floresta Amazônica e o Cerrado, tornando-se o mais longo corredor natural da Terra e um dos maiores projetos de reflorestamento da América do Sul.

Foto: One Tree Planted


Administrador de empresas formado pela ESPM, especializado em Gestão Esportiva pela FGV e pós-graduado em marketing esportivo pela Universidade de Barcelona. Sócio diretor da Sports Value marketing esportivo.

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