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Redação

Ingresso de dólares supera expectativas e impulsiona a Bolsa de Valores

Fluxo de dólares impulsiona alta de 7% do Ibovespa em janeiro e já equivale a um terço do capital estrangeiro que o país recebeu em 2021

Close no dólar

País já recebeu mais de US$ 32 bilhões este ano, o que fez o dólar cair 4% | Foto: Getty Images

Como sempre acontece, o mês de janeiro vem cheio de esperanças de um ano melhor. No mercado financeiro não é diferente. Entramos em 2022 vindos de dois anos de caos na saúde mundial, desde que a Covid 19 e suas variantes se fizeram presentes. Virou um esporte internacional o acompanhamento de curvas de vacinados, infectados e, infelizmente, óbitos. Abandonar essa realidade é um verdadeiro desejo que carregamos conosco.

Na esfera econômica, há um outro inimigo comum: a inflação. Certamente o ano corrente será de acompanhamento das ações dos bancos centrais para conter a escalada inflacionária espalhada pelo mundo. Claro que todas as atenções do mundo estão voltadas para o Fed e suas ações.

Na reunião de janeiro, o comportamento foi como o esperado pelo mercado, mas o discurso de Jerome Powell, após o anúncio de manutenção das taxas, foi bastante rigoroso. O presidente da instituição enfatizou que o BC americano usará de todas as armas para conter a inflação e não descartou até um ciclo de ajustes maior, inclusive com altas em todas as reuniões, apesar de a última projeção oficial ser de três altas.

Isso foi o suficiente para que as bolsas americanas continuassem o seu processo de forte correção, com o S&P 500 caindo mais de 5% em janeiro, sendo o pior mês de janeiro desde 2009. Já o Nasdaq, mais concentrado em papéis do setor de tecnologia, encerrou o mês com uma correção de 9,49%.

O rendimento dos títulos americanos aumentou, enquanto a moeda americana se valorizou frente às divisas das principais economias. Dada a correção lá fora e as ações do Fed, reduzimos parcialmente a nossa recomendação em renda variável internacional.

No Brasil, até mesmo o Banco Central alertou em seu comunicado da importância do cenário externo em seu comunicado após o Copom, assinalando que, no cenário externo, o ambiente segue menos favorável: “A maior persistência inflacionária aumenta o risco de um aperto monetário mais célere nos Estados Unidos, tornando as condições financeiras mais desafiadoras para economias emergentes. Além disso, a nova onda da Covid-19 adiciona incerteza quanto ao ritmo da atividade, ao mesmo tempo que pode postergar a normalização das cadeias globais de produção.”

Tudo isso, somado a números de inflação recentes ainda bastante pressionados e acima das projeções do mercado, levaram a Selic de volta a dois dígitos, com aumento de mais 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano.

A outra grande novidade nas projeções do BC foi a elevação do IPCA estimado de 2021 de 4,7% para 5,4%. A tarefa de domar a inflação não será trivial. A combinação explosiva de corrida presidencial local, dúvidas sobre a condução da política fiscal e aperto monetário internacional fez com que a curva de juros se mantivesse praticamente estável, com o IRF-M caindo 0,08% e o IMA-B cedendo 0,73%.

Embora o ciclo de aumento de juros não tenha acabado e o BC siga pressionado, as oportunidades em renda fixa mais longa são bastante grandes.

Entretanto, a grande surpresa do mês de janeiro foi a entrada de recursos de investidores estrangeiros na bolsa brasileira. Os mais de R$ 32,5 bilhões que entraram foram suficientes para levar o Ibovespa para praticamente 7% de alta e derrubar a cotação da moeda americana em 4%.

Só neste mês entraram mais do que um terço de todos os recursos estrangeiros de 2021. Realmente o Brasil não é um país para amadores. Enquanto todo o mundo enfrentava correções acentuadas, os retornos locais foram de fato extraordinários. Diante de todos esses fatos, podemos concluir que o ano de 2022 vai ser bem agitado.

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