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Ilton Caldeira

Investindo no nosso mais valioso ativo

As mudanças nas dinâmicas de trabalho, com o home office, reduziram substancialmente o tempo gasto no trajeto para o trabalho

relógio

O filósofo Sêneca já alertava há dois mil anos que a humanidade geralmente falha ao não tratar o tempo como o recurso mais valioso e mais escasso | Foto: Getty Images

A cultura do trabalho remoto ganhou impulso nos últimos anos com os avanços da tecnologia e suas múltiplas aplicações, e se consolidou como o caminho para evitar uma parada total da economia durante a pandemia de Covid-19. Mas ainda segue gerando debates acalorados entre seus defensores e os que pregam o trabalho presencial em tempo integral, independente do ramo de atividade profissional.

Um recente trabalho elaborado pelo Federal Reserve of New York joga mais luz a esse debate apontando ganhos impressionantes. As mudanças nas dinâmicas de trabalho, com  o home office, reduziram substancialmente o tempo gasto no trajeto para o trabalho; no total, os americanos agora passam 60 milhões de horas a menos viajando para o trabalho todos os dias.

Com essa economia de tempo, as pessoas empregadas alocaram, segundo o estudo, as horas anteriormente gastas em deslocamentos para atividades de lazer, momentos com a família, socialização com amigos, trabalhos voluntários e cuidados com a saúde, inclusive mais horas de sono.
O estudo foi realizado usando dados detalhados da American Time Use Survey (ATUS), uma base oficial nacionalmente representativa que mede tanto a quantidade de tempo que as pessoas passam em várias atividades quanto onde essas atividades ocorrem. 

Mesmo com o momento em que a pandemia diminuiu, mais de 15% dos funcionários em tempo integral permanecem totalmente remotos e mais 30% trabalham em acordos híbridos. 

Os ganhos econômicos desse novo arranjo são importantes de serem apontados: se os americanos estão trabalhando menos tempo no geral, não houve foram registradas perdas de produtividade por conta desse formato de trabalho remoto, total ou parcial.
Ainda de acordo com o FED New York, o aumento do tempo utilizado em lazer foi maior entre os americanos mais jovens, que relataram passar mais tempo em eventos sociais, restaurantes ou bares e em atividades físicas. 

Esse comportamento acaba se transformando em incremento a outros setores da economia, contribuindo com a geração de empregos e maiores receitas em áreas que sofreram fortemente os impactos da pandemia, como o setor de serviços e entretenimento fora de casa.

Os grupos etários mais maduros, por outro lado, tendem a alocar mais tempo para o trabalho não comercial, ou não remunerado, como atividades relacionadas a cuidados infantis,  reparos  e manutenção do lar e trabalhos sociais voluntários.

Dado que reduzir o gasto de tempo com trajetos permite que as pessoas apliquem essa reserva de horas em outras atividades, esse benefício adicional de exercer as tarefas profissionais remotamente poderá ser uma consideração importante para o futuro do mercado de trabalho.

O filósofo Sêneca, um dos maiores nomes do estoicismo, já alertava há cerca de dois mil anos que a humanidade geralmente falha ao não tratar o tempo como o recurso mais valioso e mais escasso. Portanto, cuide bem desse ativo. E a você caro(a) leitor(a), que chegou até aqui, ao fim desse artigo, muito obrigado pelo privilégio do seu tempo.

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Ilton Caldeira é jornalista de Economia e Política e especialista em Relações Internacionais pela FGV-SP. Nos Estados Unidos é Head de Comunicação da Dell’Ome Law Firm e sócio da consultoria Smart Planning Advisers.

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