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Redação

Mercado brasileiro resiste à crise na Ucrânia

Fluxo de capital estrangeiro positivo no Brasil gerou mais um mês de ganhos para o Ibovespa e para o real

Indicadores econômicos

O Brasil sentiu efeitos benéficos com a entrada de capital externo em busca de ativos locais muito descontados | Foto: Getty Images

Parece que todos nós sonhávamos há meses com esse tempo que finalmente chegaria. Deixaríamos de tratar a covid-19 como manchete de relatórios e outros assuntos passariam a compor as nossas pautas no lugar das contagens de mortos, curvas de contaminação e índices de vacinados. Enfim, seria um novo tempo.

Entretanto, a covid-19 cede lugar às tensões da guerra entre Rússia e Ucrânia. Um mundo ainda não refeito da maior pandemia em um século revê novamente a história que parecia adormecida desde o final da Segunda Guerra Mundial. As tensões na região são crescentes há alguns anos com eventos na Geórgia e na Criméia.

As movimentações de tropas russas e bielorrussas foram acompanhadas de perto pelos governos de todo mundo até que, na marcante madrugada do dia 24 de fevereiro, houve o avanço. A agressão chegou, e com ela todos os seus impactos sobre os ativos ao redor do mundo.

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O aumento nas cotações de petróleo, gás e grãos foi imediato, acompanhado de buscas por proteção e valorização do dólar. E, imediatamente, sanções econômicas foram impostas em meio à escalada das tensões. Enfim, novamente um mundo diferente.

Em um cenário de preocupação com a inflação em termos globais, aumentos de commodities parecem que vieram atiçar fogo ao fogo. Um ciclo de revisões de projeções de crescimento de PIB para baixo veio acompanhado de mudanças em projeções de inflação para cima.

E o ciclo se reforçava: quanto mais elevação de juros será preciso ter, local e internacionalmente, para conter essa espiral tão perversa, mais complicada a perspectiva para o crescimento econômico no curto prazo.

Toda essa conjuntura marcou uma variação negativa nos principais índices financeiros mundiais, levando a uma dificuldade de geração de retornos na grande maioria dos ativos nesses dois primeiros meses do ano.

Efeitos benéficos da crise no mercado brasileiro

Entretanto, no mercado brasileiro, vimos os efeitos benéficos da entrada de capital externo em busca de ativos locais muito descontados. Resultado: Bolsa para cima e dólar para baixo. Mas o mesmo alívio não foi visto na mesma magnitude no mercado de juros, que andava tão estressado com as constantes revisões das projeções de inflação semanalmente apresentadas no relatório Focus do Banco Central.

Contra um CDI acumulado no ano de 0,79%, os demais índices financeiros mostraram variações pouco positivas. Medições em IRF-M e IMA-B, índices de variações de títulos públicos atrelados a taxas prefixadas e vinculadas ao IPCA, respectivamente, mostram como esses títulos seguem pressionados, com variações de +0,58% e + 0,54%, ganhos mais tímidos do que o tão presente CDI.

Mas os ganhos foram representativos nas alocações de renda variável local. Apesar do mau humor internacional, com bolsas passando por realizações, o Ibovespa subiu 0,89%, acumulando ganhos no mês passado e com 2022 no terreno positivo. Os mesmos ganhos foram vistos no real, com queda na cotação da moeda americana de 4,07%, aos R$ 5,1394.

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