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Agência Estado

O futuro da educação executiva: tecnologia, conhecimento e valores

O executivo do futuro precisará de flexibilidade e capacidade de adaptação às mudanças, mas, acima de tudo, deve ser um profissional ético, inspirador e capaz de transformar positivamente o seu ambiente de atuação

Reunião corporativa

Métodos ativos e centrados no participante devem permitir, cada vez mais, uma experiência de aprendizado dinâmica e personalizada | Foto: Getty Images

Há alguns anos o mercado vem exigindo um perfil diferenciado dos executivos, que precisam ter uma série de conhecimentos específicos, mas também um conjunto de habilidades e soft skills para a condução dos negócios no ambiente dinâmico em que vivemos.

A pandemia de Covid-19 e outros acontecimentos globais têm impactado ainda mais esta tendência, levando os executivos a buscarem uma formação mais completa, que contemple modelos úteis para a tomada de decisão e o desenvolvimento de habilidades analíticas, pensamento crítico e um conjunto de valores que apoiem sua jornada neste contexto complexo.

O relacionamento humano e fortalecimento de networking também têm despontado como ingredientes fundamentais para executivos lidarem de forma mais equilibrada com suas equipes e alcançarem melhores resultados. É certo que o trabalho remoto veio para ficar, aprendemos a usar a tecnologia a nosso favor e as competências digitais serão cada vez mais exigidas dos gestores. Entretanto, em várias áreas de atuação, setores e culturas organizacionais, o encontro presencial em algum grau deverá continuar relevante para o sucesso.

Neste ambiente de profundas mudanças, os executivos têm buscado iniciativas de desenvolvimento e aprendizado contínuo, com aumento na percepção de seu papel proativo neste processo. As áreas de gestão de pessoas estão mais estratégicas, porém o executivo também passa a ser cada vez mais o protagonista de seu desenvolvimento.

As escolas de negócios têm um importante papel na formação dos gestores, e no mundo todo enfrentam desafios para o futuro, de tal modo a estarem preparadas para formar e desenvolver o executivo com as características demandadas pelo ambiente.

Apesar das escolas de negócios reconhecerem há anos que a estratégia da aprendizagem híbrida, por exemplo, é adequada, ainda enfrentavam muitas dificuldades na aplicação desta modalidade, optando pelos extremos presencial ou totalmente virtual. A pandemia obrigou as escolas de negócios a implementarem, em poucos dias, todas as atividades em formato virtual. Passado o desconforto do primeiro momento, esta situação também trouxe uma grande oportunidade de inovação e aprendizado para professores e estudantes.

Pesquisas realizadas pelo Profuturo–FIA indicavam, mesmo antes do início da pandemia, o potencial do modelo de ensino híbrido na educação executiva do futuro, combinando aprendizado em sala de aula física tradicional e sala de aula remota. Ainda há muito para se aprimorar, mas o conceito de omniclass adotado em programas executivos tem se mostrado promissor. Este modelo permite preservar as valiosas interações para a troca de experiências entre os executivos, mas com flexibilidade para escolha de participação presencial ou remota em diferentes momentos, conforme necessidades individuais.

Sobre este ponto, cabe ressaltar que a educação executiva no futuro terá componentes de personalização do aprendizado, considerando os interesses de cada gestor, área de atuação, tipo de decisão, momento de carreira e outras especificidades.

Outra tendência relevante está relacionada aos métodos de ensino. A aprendizagem vivencial, por meio de experiências, coletividade e aprendizagem reflexiva, com alto grau de interação, será cada vez mais valorizada. Simulações, casos e jogos de empresas, por exemplo, viabilizam a aplicação de conceitos na prática, além de permitirem o aprimoramento de soft skills, mesmo em ambientes virtuais.

Desta forma, quanto ao uso de tecnologia na educação executiva, muitas das tendências previstas para o futuro foram antecipadas pela pandemia e já são uma realidade. Métodos ativos e centrados no participante devem permitir, cada vez mais, uma experiência de aprendizado dinâmica e personalizada. Mas não podemos esquecer da importância dos valores no âmbito da educação continuada – valores como ética, respeito à diversidade e busca pela sustentabilidade.

O executivo do futuro precisará desenvolver a flexibilidade e a capacidade de adaptação às mudanças, com conhecimento e habilidades adequadas ao ambiente profissional. Mas, acima de tudo, deve ser um profissional ético, inspirador e capaz de transformar positivamente o seu ambiente de atuação. Estes elementos também devem estar presentes no cerne da educação executiva do futuro.

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