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Amir Somoggi

Amir Somoggi

Pandemia afunda finanças do futebol europeu

Clubes vivem nesse momento um profundo impacto negativo em suas finanças por conta da covid-19. Veja o tamanho das perdas

Estádio San Siro (Giuseppe Meazza), do clube europeu Milan, Itália

Estádio San Siro, casa do Milan. Tradicional clube italiano foi um dos europeus que encerraram 2020 com maior prejuízo | Foto: Divulgação

O futebol europeu vive nesse momento um profundo impacto negativo em suas finanças por conta da covid-19. O mercado europeu fatura muito com a exibição do futebol e suas perdas foram abissais.

Em meio a pandemia, a ECA (European Clubs Association), entidade de classe que representa os interesses dos clubes de futebol da Europa publicou um estudo estarrecedor!

Naquele momento, a entidade já projetava a redução de receitas em dois anos do futebol europeu em 5 bilhões de euros (R$ 33,6 bilhões), parte na temporada 2019-20 e, principalmente, em 2020-21.

Isso porque a pandemia cortou receitas a partir de janeiro/21, quando uma boa parte dos campeonatos já tinha ocorrido. Em 2021, a crise será ainda mais profunda.

O grande problema da pandemia é que o orçamento já estava definido, contrações caríssimas, salários exorbitantes, dívidas bancárias, enfim, clubes sempre atuando muito alavancados financeiramente.

A pandemia implodiu as receitas e os custos não puderam ser cortados na mesma proporção. Quem estava desequilibrado ruiu financeiramente.

Os números financeiros de 2020

Até o momento os dados apresentados por muitos clubes são piores do que anteriormente se imaginava. Houve perdas de receitas generalizadas com enorme peso para o matchday (dia do jogo) e direitos de TV.

Todos os clubes europeus sofreram cortes de receitas e os mais alavancados, quer dizer, os que mais dependiam de recursos de terceiros para sua operação, foram o que mais sofreram.

O pior resultado até o momento foi da Roma da Itália, com 204 milhões euros (R$ 1,37 bilhão) de perdas líquidas em 2020, seguido do Milan, com -195 milhões de euros (R$ 1,31 bilhão) e Everton, com -158 milhões de euros (R$ 1,06 bilhão).

Segundo análise da Sports Value, 18 times apresentaram perdas de 1,8 bilhão de euros (R$ 12 bilhões) na temporada 2020-21. As perdas passarão seguramente dos 2 bilhões de euros (R$ 13,4 bilhões), o que representará o pior resultado da história do futebol da Europa.

Gráfico: Sports Value

O Barcelona, por exemplo, fechou o ano com perdas de 97 milhões de euros (R$ 651 milhões), enquanto seu rival Real Madrid encerrou o ano com lucro de 300 mil euros (R$ 2 milhões).

O Real tomou uma atitude drástica em meio à pandemia e cortou em 10% todos os salários do clube, de jogadores e comissão técnica a executivos e funcionários do administrativo.

Isso resultou em uma economia de 60 milhões de euros (R$ 403 milhões), e equilíbrio orçamentário,  que junto com outras ações ajudaram o clube a fechar no azul, mesmo com uma folha salarial altíssima e corte nas receitas.

Outro clube que encerrou 2020 com lucros foi o Bayern de Munique, que apresentou lucro líquido de 6 milhões de euros (R$ 40,3 milhões). Uma solidez impressionante. Outro bom exemplo o Ajax, que fechou a temporada com lucros de 20 milhões de euros (R$ 134 milhões).

Isso comprova que, na crise, os clubes e empresas melhor administrados mantém o equilíbrio mesmo nas adversidades.

E saem mais rápido delas para acelerar muito mais rápido que seus concorrentes.

Por este link você pode conhecer como o Grêmio driblou a pandemia e fechou com superávits de US$ 7 milhões (R$ 38 milhões).


Administrador de empresas formado pela ESPM, especializado em Gestão Esportiva pela FGV e pós-graduado em marketing esportivo pela Universidade de Barcelona. Sócio diretor da Sports Value marketing esportivo.

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