close

Ilton Caldeira

O elo entre políticas econômicas e imigratórias

A imigração é uma ferramenta poderosa de atração de talentos qualificados, e permite que indivíduos alcancem seu pleno potencial, algo as vezes limitador no país de origem

imigrante nos eua

Os EUA podem ser o único país desenvolvido do mundo que não será tão afetado por um declínio demográfico nos próximos anos graças à imigração | Foto: Getty Images

De tempos em tempos, muitos países usam como opção para impulsionar programas econômicos o incremento de políticas imigratórias. Nesse tema, os mais conhecidos ímãs de talentos estrangeiros são os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Mas apesar de conhecidos, os programas imigratórios voltados à atração de imigrantes qualificados, com o objetivo de turbinar a força de trabalho nessas nações, andaram perdendo um pouco do brilho.

Episódios recentes como o Brexit, no Reino Unido, e ações mais duras com relação à emissão de vistos de trabalho pelo governo Trump, nos Estados Unidos, ofuscaram momentaneamente o potencial dessas ferramentas. Mas não tiraram a relevância dessas políticas já tradicionais de suporte ao desenvolvimento.

 Diante das necessidades econômicas mais imediatas do mundo, no período pós-pandemia, pelo menos outros 70 países resolveram seguir as iniciativas anglo-americanas e modernizar ações nesse sentido ou iniciar programas de atração de imigrantes no que vem sendo chamado de a nova guerra por talentos e cérebros.

Desde o Canadá até o Japão, passando pela Austrália e mais recentemente o Cazaquistão, têm um olhar mais atento para essa questão. O Japão, por exemplo, é um dos principais ícones do declínio demográfico. Com uma população cada vez mais envelhecida e longeva, que precisa de cuidados especiais, o país tenta buscar equilíbrio além de suas fronteiras.

O país está cada vez mais alerta para importância de atrair mão-de-obra jovem, com boa formação e que permanecerá por décadas sendo base para o mercado de trabalho e impulsionará a produtividade.

Uma questão-chave nesse xadrez mundial é que quanto mais rápido um país e sua classe política incorporarem a percepção de que a política imigratória é também uma política econômica, com foco no desenvolvimento, mais à frente de seus pares esse país poderá estar.

Análise recente feita pela National Foundation for American Policy (NFAP), e divulgada pela Forbes, mostra que imigrantes receberam pouco mais de 38%, ou 40 de 104 prêmios Nobel, ganhos pelos Estados Unidos em Química, Medicina e Física desde 2000. Em um período mais longo, entre 1901 e 2021, os  dados revelam que imigrantes radicados nos Estados Unidos receberam 35%, ou 109 de 311 prêmios Nobel conquistados pelo país em Química, Medicina e Física.

Nos Estados Unidos, em particular, graças à longa tradição de imigração, o país pode ser talvez um dos únicos, senão o único grande país desenvolvido do mundo que não será tão afetado por um declínio demográfico nos próximos anos.

Mas a própria competição por talentos poderá mudar mais rapidamente os ventos das políticas de imigração tanto quanto a necessidade por um equilíbrio demográfico. Essa dinâmica ainda está totalmente aberta com novos jogadores buscando um lugar nessa disputa.

Imigrar nunca foi uma escolha fácil. Mas a imigração continua sendo uma ferramenta poderosa para abrir novas possibilidades, permitindo que os indivíduos alcancem seu pleno potencial, algo muitas vezes limitador em seus países de origem.

Para os que se abrem e recebem ondas imigratórias é sempre bom ter no radar que quando os imigrantes alcançam seus sonhos, o sucesso acaba se tornando uma vitória de todos na nação que os acolheu. Os prêmios Nobel são apenas a face mais visível desse fenômeno.


Ilton Caldeira é jornalista de Economia e Política e especialista em Relações Internacionais pela FGV-SP. Nos Estados Unidos é Head de Comunicação da Dell’Ome Law Firm e sócio da consultoria Smart Planning Advisers.

Assine o Safra Report, nossa newsletter mensal

Receba gratuitamente em seu email as informações mais relevantes para ajudar a construir seu patrimônio

Invista com os especialistas do Safra