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Jorge Sá

As proteções nossas de cada dia

Quando hedges viram cereja do bolo na miscelânea dos investimentos, mais motivos surgem para se ter cautela na montagem de carteiras

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Volatilidade dos mercados exige de gestores, estrategistas e investidores lançar mão de proteções, algumas delas com possibilidade de recuperação nos investimentos | Foto: Getty Images

“Dois pesos, duas medidas”. A expressão que indica situações similares tratadas de formas distintas não se encaixa exatamente no momento atual do mercado. Mas uma adaptação para “muitos pesos, poucas medidas”, talvez espelhe melhor o que vivemos.

Isso porque o segundo semestre de 2022 teve início com mais surpresas negativas nos índices econômicos internacionais do que nos mercados financeiros, que por sua vez fizeram emergir a melhor performance mensal desde 2020.

Continuamos a ver resultados além do esperado nos indicadores de inflação, além de dados de crescimento econômico que mostram China e EUA recuando, enquanto a Zona do Euro demonstrou alguma recuperação. O mercado financeiro segue acompanhando de perto à espera de sinais que mostrem que as economias já estão desacelerando o suficiente para conter uma possível alta de juros mais à frente e preservar algum crescimento econômico, evitando uma recessão. Certamente, é um desafio e tanto em um ambiente inflacionário global com índices não vistos em alguns países nos últimos 40 anos. 

Quando focamos nos mercados, à frente ainda enxergamos desafios na gestão de riscos devido principalmente à chegada dessa possível recessão global que temos comentado há algumas semanas. Pelo retrovisor, existe sempre a viabilidade de um movimento técnico, desta vez com investidores cobrindo posições vendidas.

São muitos pesos, e poucas medidas de solução, que puxam ainda mais, e por mais tempo, essa volatilidade dos mercados que exige de todos nós, gestores, estrategistas e investidores, lançar mão deste must have cada vez mais habitual nas carteiras – as proteções, algumas delas com possibilidade de recuperação nos investimentos.

Nossas alocações praticamente se mantêm após meses de readequações de portfólio. As alterações foram marginais e concentraram-se dentro das rubricas de renda fixa, reduzindo as exposições pós-fixadas na busca de melhores retornos em ativos prefixados. Esse prêmio disponível na curva de juros nos parece atraente. 

Exemplo disso é o nosso Brasil, com crescimento que segue surpreendendo, inclusive trazendo positividade aos ativos ligados à nossa economia, mas que por outro lado deixa latente o que acabamos por nos acostumar – este processo inflacionário persistente por um tempo já indigesto. 

Os ambientes local e global suportam nossas posições de alocação e recomendações para todos os perfis, nutrindo a visão de que o Ibovespa segue barato, mas com foco mantido no poder dos multimercados em serem muitas vezes os hedges e as alavancas obrigatórias nossas de cada dia. 

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Jorge de Sá, formado pela PUC-RJ, com MBAs em Relações Internacionais na UCAM e em Finanças pela PUC-RJ. É Estrategista de Investimentos do Banco Safra.

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