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Perda agrícola no Sul pode causar repique na inflação, mas juro deve cair a 9,5% até o fim do ano

Relatório de macroeconomia do Banco Safra estima que impacto inflacionário da tragédia climática no Rio Grande do Sul será temporário e limitado

Chuvas no Sul e inflação

Perdas na produção de arroz e outras culturas no Rio Grande do Sul terão efeito temporário e limitado na inflação de alimentos, avalia o Safra | Foto: Getty Images

Após o corte de 0,25 ponto na taxa básica de juros, que caiu para 10,5% ao ano na semana passada, o cenário benigno para a inflação e a saúde das contas externas do Brasil devem permitir a continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic nas próximas reuniões até 9,50% no final do ano, segundo avaliação do Banco Safra.

O relatório semanal de macroeconomia do Safra cita que as perdas na produção de arroz e outras culturas no Rio Grande do Sul podem causar um repique inflacionário, mas acrescenta que esse movimento será temporário e limitado a alguns produtos, especialmente alimentícios. Confira a análise:

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O IPCA variou 0,38% em abril, na comparação mensal, um resultado muito próximo da nossa projeção (0,36%) e do consenso de mercado (0,35%). Com isso, a inflação ao consumidor acumulou 3,7% nos últimos 12 meses, uma melhora expressiva frente ao pico mais recente, de 5,2%, registrado em setembro do ano passado.

A aceleração da gasolina foi o destaque altista dessa divulgação e explica o desvio de projeção. Nossas coletas de preço já sugeriam uma pressão neste item. Ainda assim, a variação do combustível no mês foi além do previsto e surpreendeu.

Por outro lado, bens industriais, a exemplo de aparelhos eletrônicos e calçados, tiveram alta menor que a esperada. Já os componentes de serviços e alimentação mostraram resultados alinhados com a nossa projeção.

Medidas de núcleo, importantes para a política monetária, seguem bem comportadas. Considerando os dados com ajuste sazonal, a média dos cinco núcleos acompanhados pelo Banco Central do Brasil (BCB) cedeu para 2,9% na média móvel de três meses anualizada, patamar compatível com o centro da meta de inflação.

Houve um arrefecimento importante também nos serviços subjacentes, que rodam ainda em patamar um pouco elevado. Por fim, a queda adicional nos índices de difusão ilustra um ambiente inflacionário benigno, alinhado com o arrefecimento dos custos de produção.

Olhando à frente, prevemos volatilidade nas leituras mensais de inflação. No curto prazo, as perdas na produção de arroz e outras culturas no Rio Grande do Sul podem causar um repique inflacionário. Esse movimento, a nosso ver, será temporário e limitado a alguns produtos, especialmente alimentícios.

Outra frente que pode trazer flutuação aos índices de preço é uma provável devolução do bônus de Itaipu aos consumidores, com efeito baixista para a tarifa de energia elétrica em julho.

Diante do aumento das incertezas, especialmente advindas do ambiente internacional, o BCB reduziu o ritmo de corte da taxa Selic para 0,25 p.p. nessa semana. Acreditamos que o cenário benigno para a inflação e a saúde das nossas contas externas devem permitir a continuidade do ciclo de cortes de juros pelo COPOM nas suas próximas
reuniões, até 9,50% no final do ano.

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