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Petrobras lucra R$ 60 bi no melhor trimestre da história

Balanço do 4º trimestre garantiu resultado positivo no ano, e mostra recuperação em ‘J’ segundo o presidente demitido

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Com o resultado, divulgado na noite de quarta-feira, 24, a estatal fechou 2020 no azul, com lucro líquido de R$ 7,11 bilhões | Foto: Getty Images

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 59,9 bilhões no quarto trimestre de 2020, com um salto de 635% em relação ao mesmo período de 2019, muito acima do esperado por analistas e o maior para um trimestre na história da companhia.

Com o resultado, divulgado na noite de quarta-feira, 24, a estatal fechou 2020 no azul, com lucro líquido de R$ 7,11 bilhões.

Com o resultado, a petroleira conseguiu reverteu o prejuízo dos três primeiros trimestres do ano, apagando as perdas causadas pela covid-19, que parou a economia e, no início da pandemia, derrubou a demanda por petróleo e seus derivados.

Foi o último balanço financeiro da gestão de Roberto Castello Branco, que foi demitido pelo presidente da República Jair Bolsonaro. Após as críticas do presidente aos reajustes de combustíveis, Bolsonaro indicou o general da reserva Joaquim Silva e Luna para substituir o executivo no comando da Petrobrás. 

Resultado superou todas as expectativas

O resultado muito melhor do que o esperado no último trimestre de 2020 poderá servir para o executivo defender sua gestão, marcada pelo ajuste financeiro por meio da venda de ativos, redução da dívida e foco na produção do pré-sal.

No quarto trimestre, o lucro foi puxado, principalmente, por reversões de baixas contábeis, que foram feitas por causa da crise causada pela covid-19, mas puderam ser desfeitas na esteira da retomada da economia mundial.

A receita líquida cresceu 6% ante o terceiro trimestre, por causa da alta nas cotações do barril de petróleo, “aliada à maior demanda por geração termelétrica, que levou ao aumento das vendas de energia elétrica, gás natural e óleo combustível”, diz o relatório divulgado pela Petrobrás.

Só que as reversões de baixas contábeis pesaram mais, somando R$ 31 bilhões no quarto trimestre. Pelas normas de contabilidade seguidas pelas companhias abertas, as empresas devem, periodicamente, ajustar o valor de seus ativos, no balanço financeiro, conforme diversos parâmetros. Quando essas contas apontam para redução no valor dos ativos, é preciso cortar o lucro. Por outro lado, quando apontam alta nos valores, o lucro cresce.

Petrobras foi conservadora em baixa contábil

A crise causada pela covid-19 levou várias companhias no mundo  a registrarem baixas contábeis. As feitas pela Petrobrás nos primeiros meses da pandemia usaram entre os parâmetros projeções de que as cotações do petróleo ficariam na casa dos US$ 25 em 2020. Nessas contas, a estatal foi mais conservadora do que suas concorrentes, segundo relatório do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Só que a recuperação da economia global, puxada pela China, impulsionou uma retomada nos preços do barril a partir de maio. O movimento continuou neste início de 2021 – o petróleo tipo “brent”, com entrega para abril, negociado em Londres e usado como referência pela Petrobrás, ficou em torno de US$ 65 nesta semana.

Com o conservadorismo dos cálculos, apenas no primeiro trimestre, a Petrobrás registrou baixas de US$ 13,4 bilhões, por causa de projetos que teriam deixado de ser viáveis com a queda do barril.

Foi o principal motivo do prejuízo de R$ 48,5 bilhões nos três primeiros meses do ano, início da pandemia. Já no terceiro trimestre de 2020, com a recuperação das cotações do petróleo, a companhia começou a reverter as baixas, acelerando o ritmo de reversões no quarto trimestre

Demitido diz que fez recuperação em ‘J’

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em sua provável última Carta do Presidente na divulgação do resultado do exercício de 2020, que entregou a recuperação em “J” que havia prometido, e que a empresa teve um desempenho excepcional em 2020, apesar do ambiente desafiador da pandemia de covid-19.

Sem tocar no assunto da sua substituição pelo general Joaquim Silva e Luna, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, processo que ainda passará por uma assembleia de acionistas, Castello Branco agradeceu o apoio do Conselho de Administração “à execução da estratégia nesta jornada”, e listou várias conquistas realizadas no ano passado.

Ele informou que desde janeiro de 2019, quando entrou na companhia, já foram concluídas 21 transações e assinadas outras 13 no programa de desinvestimentos, garantindo a adição de US$ 17 bilhões no caixa, e que mais 50 ativos estão à venda em diferentes estágios.

Sem dar detalhes, ele informou que chegaram à etapa final a venda de cinco refinarias, da Gaspetro e de campos maduros. A Transpetro, informou, vendeu 11 navios, sendo a maior parte com mais de 30 anos.

11 mil aderiram à demissão voluntária

O fluxo de caixa da companhia cresceu 13%, enquanto o petróleo caiu 35% no ano passado. A empresa conseguiu também melhorar a gestão dos estoques, reduzidos em 8 milhões de barris.

Segundo Castello Branco, 11 mil funcionários da Petrobras e suas subsidiárias aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), dos quais 6.100 deixaram a companhia entre 2019 e 2020 e outros 5 mil sairão a partir de 2021.

“Quase 1.500 posições gerenciais foram eliminadas, o uso de recursos internos foi adotado para reduzir custos e o uso da transformação digital e da automação reduziram a demanda por serviços terceirizados”, afirmou.

O executivo reafirmou ainda, que o objetivo da companhia “é ser a melhor empresa de óleo e gás do mundo”, concluiu. (AE)

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