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7 razões para o recorde de crédito na pandemia

Puxado por juro baixo e grande demanda do mercado imobiliário, crédito chega ao nível recorde de 54,4% do PIB

casal assina contrato em banco

O segmento que mais cresceu foi o de ‘crédito direcionado’, que comporta crédito imobiliário e o rural | Foto: Getty Images

No período de 12 meses até março de 2021, durante a pandemia, os brasileiros tomaram empréstimos de R$ 4,5 trilhões. O volume médio de concessões mensais de crédito, de R$ 347,3 bilhões, foi 6,3% maior do que a média de 2019, ano anterior à crise provocada pela covid-19.

O estoque de crédito bancário chegou a R$ 4,1 trilhões, volume recorde no País e um salto de 17,8% em relação ao estoque de fevereiro de 2020, antes da pandemia, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Crédito bate recorde de 54,4% do PIB

Com este avanço, a relação entre crédito e PIB chegou a 54,4%, outro recorde. Anteriormente, o maior porcentual, de 53,9%, foi atingido em 2016. Em fevereiro do ano passado, este número era de 46,7%.

Um dos motivos da busca por empréstimos foi o nível baixo dos juros. Mas, neste caso, o diagnóstico é o de que os juros devem continuar em alta. Após a elevação de 0,75 ponto na taxa Selic em março,  o Banco Central avisou que a taxa vai subir mais. Além disso, o imposto sobre operações financeiras (IOF) em operações de crédito voltou, depois de ser zerado durante parte do ano passado por causa da pandemia. Desde janeiro, o IOF é de 3% ao ano para pessoa jurídica e de 6% para pessoa física. 

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Motivos do recorde de crédito na pandemia

  • Busca por crédito diante da crise e aos programas emergenciais criados pelo Ministério da Economia e pelo BC ao longo do ano passado.
  • O custo de crédito caiu ao longo da pandemia. Em fevereiro de 2020, a taxa média de juros do sistema financeiro do País era de 23% ao ano, e recuou para 20% em março. Em setembro do ano passado, bateu em uma mínima histórica de 18,1%. Já o spread (a diferença entre o custo de captação dos bancos e o quanto cobram para emprestar) recuou de 18,5 pontos porcentuais para 15,1.
  • Atuação fortemente proativa dos bancos, segundo a Febraban: “Ao contrário de outras crises, quando houve um recuo expressivo nas concessões, desta vez, mesmo com o forte aumento do risco nas operações de crédito e o momento extremamente desafiador e adverso, os bancos tiveram uma atuação fortemente proativa”.
  • O seguimento que mais cresceu foi o de ‘crédito direcionado’, que comporta crédito imobiliário e o rural, por exemplo. Nessa modalidade durante a pandemia o crédito gira R$ 42,9 bilhões ao mês.
  • No crédito livre, a alta foi de 1,7%, com uma média de R$ 304,3 bilhões ao mês.
  • O crédito para pessoas jurídicas teve a maior alta, de 12,1%, para uma média de R$ 168,4 bilhões ao mês. No crédito para pessoas físicas, o aumento foi de 1,4%, para R$ 178,9 bilhões.
  • Os programas emergenciais de concessão de crédito, como o Pronampe e o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac-FGI), ajudaram a impulsionar o crédito no país. Foram 516,7 mil operações no âmbito do Pronampe, com R$ 37,5 bilhões em concessões, e 85,1 mil operações no Peac, totalizando R$ 14,8 bilhões para as pequenas empresas. (Com AE)

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