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Murillo de Aragão

Murillo de Aragão

Política na Avenida Central

No momento, o centro político não tem candidatos, o que estimula Bolsonaro e Lula a buscar apoios no centro da política

O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário eleitoral trouxe evidentes repercussões. A mais óbvia delas é a possível manutenção da polarização Bolsonaro versus Lula em 2022. 

Bolsonaro, com a sua popularidade e a máquina governamental a seu lado, deverá ser um candidato forte. Caso, obviamente, não cometa alguma grave erro de percurso. Lula, com o seu recall e a narrativa de vítima da Operação Lava-Jato, também tem grandes chances de ser competitivo. 

Quem vai decidir a polarização em 2022? Caso seja mantido o quadro que descrevo, a polarização irá valorizar o papel dos eleitores de centro. Jair Bolsonaro ganhou a eleição por conta do antipetismo e não pelo apoio apenas de bolsonaristas. Lula ganhou duas eleições com o apoio de votos de não petistas. 

O eleitor de centro tende a arbitrar o resultado eleitoral. Tem sido assim desde que voltamos a eleger presidentes pelo voto direto. No momento, o centro político não tem candidatos, o que deve estimular Bolsonaro e Lula a buscar apoios na “Avenida Central” da política nacional. 

Bolsonaro se adiantou cooptando setores importantes do “centrão”. Mas o centro político brasileiro não é apenas o “centrão”, e este não é homogêneo. Lula, ao retornar à cena política, após a decisão do ministro Edson Facchin, do STF, acenou com moderação em alguns tópicos caros ao mercado. 

Sem dúvida, deve estar pensando em como obter apoio mais ao centro, como fez em 2002. Naquela ocasião, José Alencar, empresário filiado ao Partido Liberal, foi escolhido como vice. Mas cooptar partidos do “centrão” não basta. O nó da questão está no eleitor moderado. Este é quem deve decidir a eleição presidencial.

A corrida pelo apoio do centro político e dos eleitores não polarizados só deve terminar no segundo turno das eleições de 2022. Mas, como o jogo pré-eleitoral ainda está começando e a pandemia ainda não terminou de produzir seus efeitos, o cenário continua em aberto. 


Murillo de Aragão, professor, advogado, jornalista e cientista político, é mestre em Ciência Política e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília, CEO da Arko Advice Pesquisas, fundador da Advocacia Murillo de Aragão e professor-adjunto da Columbia University (Nova York)

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