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Inflação comportada permite corte inicial de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic esta semana

A taxa Selic deve cair dos atuais 13,75% para 13,25% na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na quarta-feira, 2 de agosto

Mulher faz compras

A desaceleração dos custos de produção e o arrefecimento da demanda doméstica estão derrubando preços e causam deflação | Foto: Getty Images

A elevação dos preços das commodities no mercado internacional e os estímulos fiscais e monetários pressionaram os índices de inflação nos últimos anos. Entre o final do ano de 2020 e meados de 2022, houve aceleração da inflação de alimentos e energia, além dos bens industrializados. A recuperação do mercado de trabalho colaborou para que os reajustes salariais acompanhassem o aumento da inflação.

O Índice Salariômetro da Fipe, que captura os dissídios coletivos, chegou a avançar mais de 12% na variação interanual em maio do ano passado, em linha com a alta do INPC. Além de ser uma forma de recomposição do poder de compra, a correção dos salários é uma elevação de custos para as empresas, especialmente no setor de serviços, intensivo em trabalho. Com custos mais altos, as empresas têm maior dificuldade de evitar novos reajustes de preços. O cenário começou a mudar em meados do ano passado. A normalização das condições de oferta e o arrefecimento da atividade mundial permitiram queda do preço das commodities nos meses subsequentes, que somada à apreciação da nossa taxa de câmbio, passou a reduzir os preços no atacado.

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O IPA acumula deflação de 11,35% nos últimos doze meses até julho, com queda relevante tanto nos agrícolas quanto industriais. A desaceleração dos custos de produção e o arrefecimento da demanda doméstica têm diminuído a inflação ao consumidor e, consequentemente, aliviado as pressões salariais.

Nesse ambiente, o IPCA-15 apresentou deflação de 0,07% em julho e acumula alta de 3,2% em doze meses. Importante destacar que o processo de desinflação está disseminado, com redução dos núcleos para patamar
semelhante àquele verificado antes da pandemia na média trimestral com ajuste sazonal.

Os indicadores de difusão, que medem o percentual de componentes com aumento de preço, também diminuíram sensivelmente, o que corrobora a amplitude do movimento desinflacionário. Enfim, a dinâmica da inflação ao consumidor apresenta melhora inequívoca.

Copom deve anunciar corte inicial da taxa Selic esta semana

O principal risco altista para a inflação desse ano é o aumento do preço de algumas commodities no mercado internacional nas últimas semanas, embora tal movimento seja modesto comparado ao que foi visto nos anos anteriores. Dentre tais commodities destaca-se a alta do petróleo, o que poderá levar a um reajuste dos preços de combustíveis. Algumas commodities agrícolas também registraram alta desde o início de junho, especialmente o trigo, impactado pelos novos desdobramentos do conflito no leste europeu.

Por outro lado, a apreciação cambial das últimas semanas é um risco baixista para nossa projeção de inflação e poderia compensar o movimento recente das commodities. O elevado superávit comercial e a melhora na percepção de risco País levou a taxa de câmbio para patamar moderadamente abaixo daquele utilizado nas nossas projeções.

Diante desse quadro, o Banco Safra estima que a inflação mensal continuará bem comportada ao longo dos próximos trimestres e que o IPCA atingirá 3,3% em 2024, em torno do centro da meta (3,0%). As expectativas de inflação do consenso dos economistas diminuíram desde a última reunião do Copom e a projeção da autoridade monetária deverá acompanhar esse movimento.

Assim, o ambiente econômico permite que o Banco Central inicie o processo de normalização da taxa de juros na próxima quarta-feira com um corte inicial de 0,50 p.p., para 13,25% a.a., patamar ainda restritivo.

Íntegra da análise macroeconômica semanal do Banco Safra.

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