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Os principais cuidados nas decisões em investimentos

Mesmo a mente mais treinada está sujeita a influências emocionais que comprometem o raciocínio no momento de investir

Tomadas de decisão são definidas pela experiência emocional

Influências como a perspectiva de perda e o efeito manada comprometem o raciocínio do investidor | Foto: Getty Images

Valeu um Nobel de Economia o estudo provando que as decisões em investimentos são determinadas por emoções e crenças muitas vezes inconscientes.

A tese de Daniel Kahneman e Amos Tversky – que virou o livro “Rápido e Devagar: duas Formas de Pensar” – mostrou que o mais experiente investidor está sujeito a erro diante da origem emocional de todo pensamento relacionado ao dinheiro.

Kahneman, que assina o livro, fez mais do que criar uma escola de economia comportamental. Ele provou com testes sem margem de erro que mesmo o cérebro mais treinado ao pensamento analítico tropeça em estatística e contabilidade na lida com finanças. Isso porque o ‘drive’ que prevalece será sempre emocional quando se está diante de algo que a mente não separa da ideia de sobrevivência: o dinheiro.

Pela ótica da economia comportamental, todos estamos sujeitos diariamente a uma combinação química mutável gerada por nossas emoções. Mesmo o investidor com grande experiência, envolvimento e acesso a informação desempenha melhor com ajuda de um especialista.

Especialista em Economia Comportamental pela Universidade Yale, a consultora Renata Saboia explica que a primeira “lente a ser trocada” para entender um perfil de investidor é que ele não é definido pelo desejo de ganhar, mas, sim, pelo medo de perder. “Quando falamos do perfil do investidor, na verdade estamos tratando de até onde vai a disposição de um indivíduo em assumir riscos e como ele se comporta diante da perspectiva de perda”, diz ela.

Para a neurocientista, a clareza do perfil diante dos riscos e o acompanhamento por um profissional de investimentos é o primeiro passo na obtenção de sucesso dos empreendimentos financeiros. “A falta dessas clareza será muito sentida, sobretudo em momentos de crise”, diz Renata. “Não precisamos ir longe: as grandes retiradas feitas no começo da pandemia, mostram que o medo da perda tirou as pessoas do caminho lógico, que era aguardar as recuperações, como de fato ocorreu”, lembra a consultora, autora de cursos a respeito na B3.

“Essas pessoas que se deixaram levar pela ‘perspectiva de perda’ tiveram de realizar prejuízos reais. Ao passo que, as que souberam esperar ou escutaram recomendações dos especialistas para aguentar o tsunami da perspectiva de perda, evitaram as perdas e em alguns casos tiveram grandes lucros.”

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Futebol, testosterona e o cérebro investidor

Para a neurociência, os pensamentos nascem do sistema primário de reação (límbico), que desperta um determinado conjunto de emoções, a partir das quais, então, elaboramos conclusões e soluções.

Nesse percurso, porém, a formação de ideias sofre uma série de interferências químicas que podem mudar até de acordo com a hora do dia. “Se seu time ganhou de lavada no final de semana, você fará as escolhas mais otimistas na abertura do pregão na segunda-feira”, diz Renata Saboia.

A interferência nesse caso, explica ela, é a testosterona, hormônio aumentado na experiência esportiva de vitória, que encoraja a riscos e aumenta o desejo por mais dopamina, a química cerebral que dá prazer com o ganho e nos faz sentir necessidade de continuar ganhando. “Aqui, a armadilha é a situação em que diante da perspectiva de perda, a pessoa troca de produto sem muita reflexão, para prolongar a sensação de vitória, que nem sempre se realiza.”

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A experiência oposta também vale: uma sucessão de derrotas, perdas ou outra causa na queda do hormônio pode causar em um investidor de perfil ousado um comportamento conservador. “É o momento em que ocorrem perdas de oportunidade”, diz a economista, fundadora da Jeté Consultoria.

“A mediação especializada é o fiel da balança mais confiável nesse momento”, diz ela. “Porque a outra referência que a necessidade de sobrevivência pode levar é a ‘opinião da maioria’, que é o ilusória, pois não temos acesso verdadeiro a uma opinião geral. É essa ilusão que cria o efeito manada, esse que ‘me levou a fazer retiradas na baixa porque os meus grupos de rede social disseram estar retirando'”.

Os dois tipos de pensamentos estudados por Daniel Kahneman, o psicólogo que ganhou um Nobel de Economia, são o rápido (intuitivo, reativo) e o lento (reflexivo, deliberativo). Ambos estão na base de muitas das tomadas de decisão diárias, em todas as áreas da vida e a combinação equilibrada dos dois é diferente para cada pessoa. A expansão e divulgação da economia comportamental (“Rápido e Devagar” frequenta a lista dos livros mais vendidos do ‘New York Times’ há dez anos) influencia na formação e na atuação de consultores financeiros, cada vez mais personalizadas.

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