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Informação é principal antídoto contra fraudes financeiras

Pesquisa do Centro de Estudos Comportamentais da CVM mostra que vítimas de fraudes são menos informados sobre investimentos

Homem e mulher analisam informação em tablet

Os resultados sugerem que quem não cai em golpes e fraudes financeiras são mais informados em relação a investimentos | Foto: Getty Images

Uma pesquisa sobre fraudes financeiras ajuda a esclarecer os fatores que levam muitos brasileiros a perder dinheiro em golpes, e evidencia o perfil de quem é imune a esse tipo de prejuízo.

O estudo realizada pelo Centro de Estudos Comportamentais e Pesquisas (CECOP) da Comissão de Valores Mobiliários, e constatou que 91% das vítimas são homens.

Entre os entrevistados, o público que cai em golpes financeiros é composto, em geral, por homens (91%), com idade entre 30 e 39 anos (36,5%) com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários-mínimos (23%) e com pós-graduação (38%).

Os resultados sugerem que quem não cai em golpes e fraudes financeiras são mais informados em relação a investimentos, e procuram diversificar as aplicações financeiras, evitando armadilhas. Ou seja, informação de qualidade é o principal antídoto contra práticas golpistas.

Onde investem os quem não cai em fraudes financeiras

Quem não caiu em golpes investe mais em ações, fundos de investimento, fundos de investimento imobiliários, previdência privada, CDB, LCI/LCA.

Em contrapartida, uitas das vítimas de golpes não tinham investimentos financeiros. Ou investiam mais, proporcionalmente, em poupança, criptomoedas e start-ups.

Onde investem as vítimas

As criptomoedas aparecem como o produto de investimento mais citado pelas vítimas de golpes financeiros, sendo mencionadas por 43,3% dos entrevistados. Em seguida, aparecem os demais mercados, como Forex de operações de câmbio (29,8%), opções binárias (16,9%) e ações (15,2%).

O meio de divulgação para fraude mais citado foi o aplicativo Whatsapp (27,5%), seguido pela divulgação boca-a-boca pessoalmente (19,7%). Além disso, e-mail e ligação telefônica são usados pelos golpistas (12,4% cada).

Valores perdidos com as fraudes

Os valores perdidos foram diversos, havendo respostas de até R$100 e acima de R$100.000. Entretanto, em geral as vítimas investiram entre R$10.000,01 e R$50.000,00 (22,5%) e entre R$1.000.01 e R$5.000,01 (21,3%).

A respeito da relação com o fraudador, metade dos participantes afirmou conhecê-lo de alguma forma (28,1% conheciam o golpista pessoalmente, enquanto 21,9% conheciam, mas não pessoalmente, podendo ser um conhecido de um conhecido ou uma pessoa da mídia).

Para 29,8% das vítimas o fraudador era um estranho e outros 9,0% disseram não ter recebido a oferta por terceiros. Por fim, 11,2% não informaram.

Aspectos que contribuem para fraudes

Quando questionados sobre quais aspectos que contribuíram para que tivessem caído no golpe, os participantes podiam marcar mais de uma opção. As respostas mais frequentes foram: aparência do site transmitindo confiança (39,9%), outros familiares/amigos já haviam feito o investimento (38,8%), bom atendimento por parte dos profissionais (35,4%), pequeno investimento exigido (30,9%), desconhecimento da modalidade do golpe (24,7%).

Quando perguntados se, após perceberam que realmente se tratava de uma fraude, havia sido feita alguma reclamação ou denúncia, 46,6% dos entrevistados disse que sim. A CVM é a principal opção de órgão de denúncia para 65,1% das vítimas, seguida pela própria empresa fraudulenta (49,4%), advogado particular (45,8%), sites de reclamação (31,3%), entre outros.

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Sobre a pesquisa

A pesquisa ouviu 1.002 pessoas. Dessas, 178 afirmaram ser vítimas de fraudes financeiras, ou, após marcarem não ter certeza, indicaram em outras respostas terem caído em golpes

“A confiança em terceiros e elementos de credibilidade, como aparência profissional de sites, são fatores muitas vezes decisivos para os aportes, juntamente com uma personalidade do investidor voltada mais ao risco, ao interesse por fugir do tradicional e a testar produtos inovadores”, destacam os autores do estudo, Isabella Pereira (psicóloga do CECOP/CVM) e Bruno Bruno (analista da CVM).

“Fragilidades financeiras não foram apresentadas como motivos para investimento. Pelo contrário, 35% da amostra afirmou estar em busca de lucro, mas ainda sem objetivo definido, seguidos pelos 17% dos participantes que queriam diversificar o portfólio. mesmo que sem um objetivo definido para o lucro” — acrescentam os autores.

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