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Ritmo de crescimento depende de vacinas

Safra considera improvável que o ritmo da economia se mantenha se o país não garantir avanço das vacinas e dos investimentos

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Para garantir crescimento, o país precisa aumentar a taxa de investimentos “de forma significativa e sustentada “, segundo o Safra | Foto: Getty Images

A indústria brasileira acelerou a produção em dezembro, superando todas as previsões. O ritmo está 4,5% acima do nível do último trimestre de 2019, e aproxima-se dos recordes da primeira metade da década passada, época de crédito público abundante.

A velocidade e intensidade da recuperação da produção industrial são surpreendentes, 8,3% maior do que em dezembro de 2019, o que projeta crescimento de 10,0% em relação a 2020, se o ritmo for mantido ao longo do ano.

Para o Banco Safra, é improvável que o “embalo” se mantenha, embora a produção industrial possa crescer em relação aos anos anteriores, mesmo com os desafios por causa do recrudescimento da covid-19.

Com as vendas elevadas dos últimos meses, o Safra prevê movimento de reposição de estoques, o que deve manter parte da demanda por bens industrializados, especialmente de consumo.

As categorias da produção industrial associadas a investimentos mostraram desempenho extraordinário, com a produção de bens de capital (equipamentos industriais) e insumos para a construção civil em alta de 2,4% e 1,3% em dezembro em relação ao mês anterior, e 35,4% e 20,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Os dados de atividade até o final do ano passado seguem bastante positivos, o que poderá levar o Safra a rever a estimativa da variação do PIB em 2020, atualmente projetada em uma retração de 4,1%.

Bons indicadores de atividade nesta semana podem levar a contração do PIB a muito próximo de 4%, o que levaria a um carregamento estatístico ainda maior do que os 3,6% implícitos no cenário base do Safra.

Caso este cenário se confirme, o Brasil terá uma das mais rápidas recuperações pós-choque inicial da crise do Covid-19 no mundo, segundo o Safra.

Entretanto, a análise do banco destaca que não se deve perder de vista que o nível do PIB brasileiro pré-pandemia era baixo, e que o governo injetou perto de R$ 1 trilhão em recursos públicos como estímulo econômico em 2020.

“Retrovisor não mostra névoa à frente”

A análise do Safra destaca que, “apesar do cenário positivo da atividade econômica no retrovisor, há alguma névoa ao se olhar para frente”.

A evolução da pandemia ainda é incerta, apesar da aparente efetividade das vacinas e avanço da vacinação, segundo o banco.

No campo político, a carta de boas intenções do Congresso, apresentada após a eleição das lideranças das duas casas, traz alguma sinalização de apoio à agenda reformista, mas também inclui menção a mais gastos públicos em resposta ao recrudescimento da pandemia.

Para o Safra, as intenções manifestadas pelo Congresso “vão precisar se traduzir em ações concretas para dar confiança mais robusta aos mercados”.

A queda dos indicadores de confiança em muitos setores em janeiro corrobora a cautela dos empresários e pode se traduzir na dissipação do impulso fiscal e monetário dado à economia em 2020, segundo a análise do Safra.

“Essa cautela pode se traduzir em letargia no investimento. A taxa de investimento no Brasil vem estando em média entre 18% e 19% desde 2015, ou seja, em nível frequentemente visto como insuficiente para repor a depreciação dos bens de capital, e em contraste com os 24% encontrados em outros países emergentes”.

Para o Safra, para haver crescimento sustentado no Brasil é necessário “aumento significativo e sustentado da taxa de investimentos, o que ainda não é discernível, apesar do bom desempenho da indústria de bens de capital em 2020”.

O banco adverte para o risco inflacionário: “A dissipação do impulso dado à economia no ano passado teria repercussões persistentes e negativas sobre a dívida pública e o desemprego estrutural, que podem se traduzir em juros de equilíbrio mais altos e menor PIB potencial”.

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