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Uruguai estende restrições até o fim de abril

Presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, confirma que medidas anunciadas em março e que iriam até 12 de abril, vão até dia 30

Calçada em Montevidéu, capital do Uruguai

Montevidéu, capital do Uruguai. País mantém suspensão de aulas e eventos públicos e fechamento de academias | Foto: Getty Images

Assim como a vizinha Argentina, o Uruguai estenderá medidas de restrições para conter o avanço da pandemia de covid-19.

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, confirmou que as restrições anunciadas em 23 de março e que iriam até 12 de abril, agora vão vigorar até o próximo dia 30.

Entre as restrições estão a suspensão das aulas presenciais e de shows públicos.

Com a decisão, o governo resiste às pressões de diversos setores para impor restrições mais severas.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva na sede presidencial em Montevidéu, após reunião de Lacalle Pou com a comissão de especialistas que assessoram o governo sobre a pandemia.

Restrições no Uruguai

O pacote de restrições no Uruguai para conter o aumento de infecções e mortes inclui o fechamento de todos os órgãos públicos (exceto serviços essenciais), a suspensão de espetáculos públicos, o fechamento de academias e free-shops na fronteira, assim como a suspensão de festas e eventos sociais.

Estabelecer essa data para “proteger abril”, como recomendam os especialistas, “não é um capricho”, disse Lacalle Pou.

“Presume-se que por volta do final de abril poderemos começar a ver as consequências do plano de vacinação”, disse o presidente.

Vacinação no país

Até o momento, cerca de 20% da população uruguaia já recebeu a primeira ou segunda dose das vacinas Pfizer e Sinovac.

Segundo o presidente, até a última semana de abril serão 860 mil vacinados com a primeira dose do imunizante produzido pela Sinovac e, no final do mês, 550 mil totalmente inoculados.

A isso se somam os profissionais da saúde e outros grupos vacinados com a vacina da Pfizer.

Quanto às aulas, Lacalle Pou afirmou que “foi aprovado o prosseguimento das [turmas] não presenciais até pelo menos segunda-feira, 3 de maio”. A retomada gradativa estava prevista para depois da Páscoa, embora sem data precisa.

Mudança de cenário

Antes considerado um exemplo de gestão da emergência sanitária na região, o Uruguai se tornou um dos países com mais infecções em proporção à sua população de 3,5 milhões de pessoas.

Em seu pior momento desde o início da pandemia, o país registrou um recorde de 3.935 infecções em 24 horas e 40 mortes na quarta-feira, 7.

Esta semana também registrou números sem precedentes de mortes na segunda e terça-feira, com 45 mortes por dia.

Desde o início da crise sanitária, o Uruguai registrou mais de 126 mil casos e 1.231 mortes por coronavírus.

A maior parte dos óbitos são recentes: enquanto entre março de 2020 e dezembro houve apenas 181 mortes, nos primeiros três meses de 2021 mais de 800 mortes foram confirmadas.

“Liberdade responsável”

O presidente pediu ainda a redução da mobilidade, mas sem anunciar medidas severas, como cada vez mais pedem cientistas, adversários e até parceiros políticos.

Desde o início da pandemia, o governo se recusou a aplicar a quarentena obrigatória, apelando para a “liberdade responsável” dos cidadãos.

Fiel a essa ideia, na quarta-feira, Lacalle Pou se opôs à imposição de toque de recolher, medida adotada em outros países, incluindo a Argentina, à noite.

Por outro lado, destacou que já existem normas para evitar multidões e festas clandestinas.

Ele citou o exemplo de um trabalhador rural que sai para trabalhar de madrugada por rejeitar o “estado policial”, como definiu em várias ocasiões.

Vozes a favor da mobilidade reduzida e outras medidas mais restritivas afirmam que pode haver um colapso do sistema de saúde no país.

De acordo com a Sociedade Uruguaia de Medicina Intensiva (Sumi), há uma ocupação total de 76% dos leitos de UTI, embora 48% correspondam a pacientes com covid-19.

Lacalle Pou indicou que ainda existem 933 leitos disponíveis e 88 mais podem ser adicionados. (AE)

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