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Guerra na Ucrânia vai pressionar inflação dos alimentos no Brasil

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admite impacto da guerra na inflação e diz que governo busca fornecedores alternativos de fertilizantes

Agronegocio

A Rússia é o maior fornecedor de adubos l para o Brasil, na frente da China, Canadá, Marrocos e Belarus | Foto: Getty Images

O governo estuda alternativas de fornecedores de adubos e fertilizantes para suprir a falta de produtos importados da Rússia e Ucrânia, para tentar evitar impacto da guerra na inflação dos alimentos. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admitiu que os preços dos alimentos tendem a subir, conforme a duração e extensão da guerra na Ucrânia.

“Tudo vai depender da duração da guerra. A gente tem que diminuir esses impactos, achar alternativas para ter o fornecimento. O preço quem faz é o mercado. O trigo subiu nas alturas porque a a Ucrânia é um grande produtor. Hoje o mundo é globalizado. O preço dos alimentos a gente acha que terá uma alta. A soja subiu, caiu um pouco depois. O milho subiu e caiu depois. Isso é uma commodity. Temos de acompanhar e diminuir os impactos”, complementou.

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A ministra foi recentemente ao Irã tratar da venda de ureia. Também deve viajar para o Canadá em breve para negociar contratos de exportação de fertilizantes com base no potássio, principal deficiência do Brasil para garantir a safra que começa em outubro.

A ministra tentou passar uma mensagem de tranquilidade sobre uma possível falta de fertilizantes para a produção agrícola brasileira, embora haja preocupação com a safra de verão, que começa em setembro. “É muito cedo para dizer se será um caos ou não”, disse, reforçando que vai depender da duração da guerra.

A ministra repetiu que a safrinha já está garantida e que os produtores têm um estoque de passagem até outubro. O ministério ainda está levantando os números do volume que falta para garantir toda safra. “É muito difícil, porque é muito disperso. Mas temos certeza que essa safra vai acontecer.”

Diversificação de fornecedores é a estratégia para evitar impacto da guerra na inflação dos alimentos

Tereza Cristina disse que o Plano ‘A’ é diversificar os fornecedores de adubos para a hipótese dos fertilizantes russos e de Belarus, que é afetado por sanções desde o ano passado, não cheguem a tempo.

“O plano A é buscar outros parceiros, talvez com volume menor”, admitiu. “Temos outros parceiros para substituir, se for preciso, uma parte desse fornecimento.”

A ministra tem uma conversa marcada com o Canadá, maior exportador de potássio, no dia 12. Ela explicou que essa conversa já estava marcada antes da questão no leste europeu, mas que agora tem uma resposta mais firme no Canadá.

Tereza Cristina também citou oportunidades no Chile, com potássio, e Arábia Saudita, Catar e Israel, para nitrogenados. “Temos algumas alternativas para suprir deficiência que podemos vir a ter. Esse é o plano se a gente não receber fertilizantes desses países”, disse. “A Agricultura brasileira continua trabalhando, com alguma preocupação.”

Rússia é maior fornecedora de adubos para o Brasil

Alvo de diversas sanções econômicas devido à invasão da Ucrânia, a Rússia é o maior fornecedor de adubos em geral para o Brasil, considerando o volume. China, Canadá, Marrocos e Belarus aparecem na sequência.

Tereza Cristina ainda explicou que, em nenhum momento, a Rússia ou Belarus informaram que não vão mais fornecer fertilizantes para o País, mas que o mercado hoje está paralisado devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Segundo ela, as sanções impedem, por exemplo, a contratação de seguro para os embarques, além de dificuldades de pagamento, “com desligamento de alguns bancos”. A ministra ainda negou que haja navios já embarcados com adubos retidos neste momento.

“Temos que ter cautela neste momento”, acrescentou, dizendo que tem grupo de acompanhamento com produtores, indústria e logística. “Já estamos conversando para que daqui a dois, três meses, possa ter prioridade de recebimento de fertilizantes nos portos. Estamos conversando com a Infraestrutura.”

Tereza Cristina ainda disse que o Plano B é usar mais tecnologia para diminuir o uso de fertilizantes, mantendo a mesma produção. Essa alternativa, porém, não é de curto prazo. Segundo ela, há um plano do Embrapa que pode ser discutido com os produtores para a próxima safra. “Algumas coisas podem ser feitas no curto prazo, outras não.” (AE)

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