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Década será de luta contra desigualdade, diz Edu Lyra

Fundador da Gerando Falcões defende mobilização de ONGs, igrejas e da sociedade para atrair jovens de volta às escolas

Edu Lyra, de óculos, no canto à esquerda olhando de lado e sorrindo

“O governo tem que ser cada vez mais um catalisador de forças e de energias para produzir ecossistemas que inovem”, diz Edu Lyra | Foto: Divulgação

Empreendedor social reconhecido dentro e fora do Brasil, Edu Lyra acredita que esta década será marcada pelo combate à desigualdade.

Segundo o fundador da ONG de desenvolvimento social Gerando Falcões, a consciência de se construir uma sociedade mais igualitária mudou de nível com o impacto da pandemia.

“A covid-19 colocou uma lente de aumento sobre os problemas do Brasil, e hoje mais pessoas sabem mais que 100 milhões de brasileiros não têm saneamento básico e que existem mais de 14 mil favelas no Brasil”.

Em entrevista ao portal O Especialista, Edu Lyra aponta as perspectivas de continuidade para a “primavera” de filantropia e doações iniciada em 2020.

Ele também expõe sugestões para solucionar problemas amplificados na esteira da covid-19, além das metas da Gerando Falcões para 2021.

“Acho que essa década vai ser marcada pelo combate à desigualdade, e as pessoas estão muito mais abertas e suscetíveis a trabalhar em conjunto”.

Poder público como catalisador de forças

Para Edu Lyra, a covid-19 aproximou as pessoas da realidade social da periferia e da favela Isso as fez enxergar qual é a tamanho do “fosso da desigualdade” no Brasil.

Um grande exemplo é o impacto causado na educação, principalmente para as crianças e jovens do sistema público de ensino.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), 5,5 milhões de crianças e adolescentes ficaram sem acesso à educação no Brasil no ano passado.

O total de alunos de 6 a 17 anos de idade que abandonaram a escola foi de 1,38 milhão. Esse número representa 3,8% dos estudantes brasileiros, sendo a maioria das classes mais desfavorecidas.

Para combater problemas como esse, o empreendedor social não vê uma solução vinda unicamente dos governos.

Segundo ele, o retorno dos alunos às salas de aula vai depender de toda a rede de influência que os envolve (desde ONGs e igrejas até as famílias), além do apoio de agentes econômicos relevantes.

“A escola e o Estado não vão conseguir fazer isso com seu aparato tradicional. Este é um desafio de país. O governo tem que ser cada vez mais um catalisador de forças e de energias para produzir ecossistemas que inovem para resolver este desafio”, afirma Lyra.

Chamado às empresas

Edu Lyra participou do Fórum Econômico de Davos deste ano, que foi realizado de forma virtual devido a pandemia. No ano passado, ele foi selecionado pelo Fórum como um dos quinze jovens brasileiros que podem mudar o mundo.

Sua influência se reflete nos resultados práticos apresentados pela ONG Gerando Falcões. Lyra conseguiu apoio de grandes empresários como Jorge Paulo Lemann (3G Capital), Guilherme Benchimol (XP Investimentos) e Elie Horn (Cyrella).

A Gerando Falcões fomenta uma rede de ações de promoção à educação, geração de renda, saúde, entre outros componentes de desenvolvimento social em comunidades pelo país. E para que o trabalho seja bem sucedido, o apoio da iniciativa privada é vital.

Por isso, Edu Lyra acredita que a pauta sobre as questões de sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG) só tende a crescer nos próximos anos.

“As empresas que não atualizarem o seu software para os tempos modernos que exigem um reposicionamento social se tornarão obsoletas. Não existe mais o problema da favela ou o problema dos pobres. É o problema de todos”.

Cada vez mais os instrumentos financeiros, que são essenciais para o crescimento de qualquer grande empresa, se alinham a esse reposicionamento.

Recentemente, o banco francês BNP Paribas anunciou que só atenderá empresas ambientalmente responsáveis com a Amazônia e o Cerrado brasileiro.

A criação de fundos ESG e títulos ligados a metas sustentáveis também é um bom exemplo da evolução do pensamento socialmente responsável.

Metas de Edu Lyra para 2021

Como a inovação está na raiz estratégica de todo empreendedor, Edu Lyra começou a trabalhar em modelos de comunidades sustentáveis.

Em 2020, iniciou a estruturação de uma “favela autossustentável” na comunidade Vila Itália, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

A iniciativa conta com o apoio do Instituto Tellus e da consultoria Accenture, além do poder público municipal. Até o final deste ano, o projeto deve entrar em fase de implementação.

“O principal indicador do projeto é interromper o ciclo de pobreza numa favela, construir uma matriz de transformação e entregar para o Brasil”, explica Lyra.

Além do projeto, a Gerando Falcões quer encerrar 2021 com a formação de 300 líderes por meio do programa Falcons University, e estar presente em mil favelas brasileiras.

“Levanto da cama todos os dias, engajo gente e lidero meu time para entregar essa missão para o Brasil e nós vamos fazer isso antes do Elon Musk chegar em Marte“, afirma Lyra.

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